Principal Mindset - A Nova Psicologia do Sucesso

Mindset - A Nova Psicologia do Sucesso

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8 comments
 
Emanuele de Souza
Amei o site! Um dos poucos q vejo bons livros disponíveis e de fácil acesso. Muito fácil baixar e rápido.
15 March 2021 (23:00) 
adisal
Estou a gostar do site e acredito que contribuirá muito para o desenvolvimento do meu conhecimento.
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Elaine do Socorro Macias Camelo
O site tem ótimos livros , sempre recomendo aos amigos.
04 June 2021 (02:29) 
joooa
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07 August 2021 (03:21) 
CARMEM
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09 August 2021 (05:55) 
Erick veras
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20 August 2021 (15:47) 
Breno
O melhor site que conheço!!!!! Bora ler galera!!
24 August 2021 (16:59) 
Benfica
O melhor site de todos.
04 September 2021 (02:04) 

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Hackeando Tudo v1

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Os Mercadores da Noite

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Sumário

Introdução
1. OS MINDSETS
Por que as pessoas são diferentes?
O que tudo isso significa para você? Os dois tipos de mindset
Uma visão a partir de cada mindset
Mas, então, qual é a novidade?
Autopercepção: quem tem ideias precisas sobre suas capacidades e limitações?
O que o futuro nos reserva
2. POR DENTRO DOS MINDSETS
Sucesso tem a ver com aprendizado ou serve para provar que você é inteligente?
Os mindsets mudam o significado de fracasso
Os mindsets mudam o significado de esforço
Perguntas e respostas
3. A VERDADE SOBRE APTIDÃO E REALIZAÇÃO
Mindset e desempenho escolar
Aptidão artística é um dom?
O perigo dos elogios e dos rótulos positivos
Os rótulos negativos e como funcionam
4. ESPORTES: O MINDSET DE UM CAMPEÃO
A noção de talento nato
“Caráter”
O que é sucesso?
O que é fracasso?
Assumir o controle do sucesso
O que significa ser uma estrela?
Ouvindo os mindsets

5. NEGÓCIOS: MINDSET E LIDERANÇA
A Enron e o mindset do talento
Organizações que crescem
Um estudo sobre mindset e decisões gerenciais
Liderança e o mindset fixo
Líderes de mindset fixo em ação
Líderes de mindset de crescimento em ação
Um estudo sobre processos de grupo
Pensamento de grupo versus nós pensamos
A geração elogiada chega ao mercado de trabalho
Negociadores nascem negociadores?
Treinamento corporativo: gestores nascem gestores?
Líderes nascem líderes?
Mindsets organizacionais
6. RELACIONAMENTOS: MINDSETS APAIXONADOS (OU NÃO)
Relacionamentos são diferentes
Mindsets que se apaixonam
O parceiro como inimigo
Competição: quem é o melhor?
Desenvolver-se no relacionamento
Amizade
Timidez
Bullies e vítimas: vingança revisitada
7. PAIS, PROFESSORES E TÉCNICOS ESPORTIVOS: DE ONDE VÊM OS MINDSETS?
Pais (e professores): mensagens sobre sucesso e fracasso
Professores (e pais): do que é feito um grande professor (ou pai)?
Técnicos esportivos: vencer por meio do mindset
Falso mindset de crescimento
Nosso legado
8. MUDANÇA DE MINDSET
A natureza da mudança
Conferências sobre mindsets
Um workshop sobre mindset
Cerebrologia
Algo mais sobre a;  mudança
Abrindo-se ao crescimento
Pessoas que não desejam mudar

Mudando o mindset do seu filho
Mindset e força de vontade
Conservação da mudança
A jornada em direção a um (verdadeiro) mindset de crescimento
Aprender e ajudar a aprender
O caminho à frente
Notas
Livros recomendados

Introdução

Um dia meus alunos se reuniram comigo e me obrigaram a escrever este livro. Queriam que outras
pessoas pudessem utilizar nosso trabalho para melhorar suas vidas. Era um projeto que eu queria realizar
havia muito tempo, e se tornou minha prioridade.
Meu trabalho faz parte de uma tradição da psicologia que mostra o poder das crenças pessoais.
Podemos ter ou não consciência dessas crenças, mas elas têm forte influência sobre aquilo que desejamos
e sobre nossas chances de consegui-lo. Essa tradição demonstra também como a mudança das crenças
individuais, mesmo as mais simples, é capaz de produzir efeitos profundos.
Com este livro você aprenderá como uma simples crença a respeito de si mesmo, uma crença que
descobrimos em nossas pesquisas, orienta grande parte de sua vida. De fato, permeia cada parte de sua
vida. Uma parcela significativa do que você acredita ser sua personalidade na verdade é gerada por esse
“mindset”. E muito do que impede a realização de seu potencial é também produto dele.
Até hoje nenhum livro explicou como funciona esse mindset nem demonstrou como é possível utilizálo em nossa vida. Rapidamente você compreenderá os grandes homens e mulheres — nas ciências e nas
artes, nos esportes e nos negócios —, assim como aqueles que não conseguiram se destacar. Com​preenderá seus parceiros, seu chefe, seus amigos e seus filhos. Verá como libertar seu potencial, assim
como o de seus filhos.
É um privilégio partilhar minhas descobertas com você. Além de relatos sobre as pessoas que
participaram de minha pesquisa, apresento nos capítulos a seguir histórias tiradas de manchetes de
jornais e baseadas em minha própria vida e experiência, para que você possa ver o mindset em ação. (Na
maior parte dos casos, os nomes e as informações pessoais foram modificados para preservar o
anonimato; em alguns, diversas pessoas foram condensadas em uma só, a fim de demonstrar uma ideia
com mais clareza. Certos diálogos foram recriados de memória; procurei reproduzi-los da melhor
maneira possível.)
Ao final de cada capítulo e em todo o último capítulo, mostro a você maneiras de aplicar as lições —
formas de reconhecer o mindset que está orientando sua vida, compreender seu funcionamento e
modificá-lo, caso deseje.
Quero aproveitar a oportunidade para agradecer a todos os que possibilitaram minha pesquisa e este
livro. Meus alunos fizeram de minha carreira de pesquisadora uma imensa alegria. Espero que tenham
aprendido comigo tanto quanto aprendi com eles. Também quero agradecer às organizações que deram
apoio à nossa pesquisa: a Fundação William T. Grant, a Fundação Nacional de Ciência, o Departamento
de Educação, o Instituto Nacional de Saúde Mental, o Instituto Nacional de Saúde Infantil e
Desenvolvimento Humano, a Fundação Spencer e a Fundação Raikes.
Os funcionários da Random House formaram a equipe mais estimulante que eu poderia desejar:
Webster Younce, Daniel Menaker, Tom Perry e, mais do que quaisquer outras pessoas, minhas editoras,

Caroline Sutton e Jennifer Hershey. Seu entusiasmo pelo meu livro e suas valiosas sugestões fizeram toda
a diferença. Agradeço a meu extraordinário agente, Giles Anderson, assim como a Heidi Grant, por ter
me colocado em contato com ele.
Sou grata a todos os que me deram sugestões e feedbacks, mas agradeço especialmente a Polly
Shulman, Richard Dweck e Maryann Peshkin, por suas extensas e penetrantes observações. Finalmente,
agradeço a meu marido, David, pelo amor e entusiasmo, que conferem uma dimensão maior à minha vida.
Seu apoio durante todo este projeto foi excepcional.
Meu trabalho trata de crescimento, e ajudou a estimulá-lo em mim. Desejo que produza o mesmo efeito
em você.

1. Os mindsets

Quando eu era uma jovem pesquisadora, em início de carreira, aconteceu algo que mudou minha vida.1
Eu era obcecada pela ideia de compreender como as pessoas lidam com fracassos, e resolvi estudar esse
tema observando como os estudantes lidavam com problemas difíceis. Assim, levei várias crianças, uma
de cada vez, a uma sala em sua escola, onde as deixei ficar à vontade com uma série de quebra-cabeças
para resolver. Os primeiros eram bastante fáceis, mas os seguintes iam ficando mais difíceis. Enquanto as
crianças resmungavam, suavam e se esforçavam, eu observava suas estratégias e investigava o que
pensavam e sentiam. Esperava encontrar diferenças no modo como enfrentavam as dificuldades, mas
percebi uma coisa que jamais havia imaginado.
Diante dos quebra-cabeças difíceis, um menino de dez anos puxou a cadeira para mais perto, esfregou
as mãos, estalou os lábios e exclamou: “Adoro um desafio!”. Outro, lutando com os quebra-cabeças,
ergueu os olhos com uma expressão satisfeita e disse, com ar de autoridade: “Sabe, eu já esperava
aprender alguma coisa com isso!”.
O que há de errado com eles?, pensei. Sempre havia achado que uma pessoa ou sabia lidar com o
fracasso ou não sabia. Nunca imaginara que alguém pudesse gostar do fracasso. Essas crianças seriam
excepcionais ou teriam encontrado alguma coisa nova?
Todos temos um exemplo a seguir, alguém que nos indicou o caminho num momento crítico de nossas
vidas. Aquelas crianças se tornaram meus modelos de comportamento. Evidentemente sabiam algo que eu
desconhecia, e eu estava decidida a descobrir o que era — a entender o tipo de mindset capaz de
transformar o fracasso em um dom.
Que sabiam elas? Sabiam que as qualidades humanas, tais como as habilidades intelectuais, podem ser
cultivadas por meio do esforço. E era isso que estavam fazendo — tornando-se mais inteligentes. Não
apenas o fracasso não as desestimulava, como nem sequer imaginavam que estivessem fracassando.
Achavam que estavam aprendendo.
Eu, por outro lado, achava que as qualidades humanas eram esculpidas em pedra. Ou você era
inteligente ou não era, e o fracasso significava que não era. Simples assim. Se conseguia planejar os
êxitos e evitar os fracassos (a qualquer custo), poderia continuar sendo inteligente. Os esforços, os erros
e a perseverança não faziam parte desse panorama.
A questão de saber se as qualidades humanas podem ser cultivadas ou se são imutáveis é antiga. A
novidade é o que essas crenças significam para você: quais são as consequências de imaginar que nossa
inteligência ou nossa personalidade são características que podemos desenvolver, em vez de constituírem
algo fixo, um traço profundamente arraigado? Examinaremos inicialmente o antiquíssimo e feroz debate a
respeito da natureza humana e em seguida voltaremos à questão de saber o que tais crenças significam
para você.

POR QUE AS PESSOAS SÃO DIFERENTES?

Desde o começo dos tempos, as pessoas pensaram, agiram e viveram de modo diverso umas das outras.
Obviamente alguém iria querer saber por que as pessoas eram diferentes — por que algumas são mais
inteligentes ou mais éticas — e se havia alguma coisa que as tornava permanentemente distintas. Essa
questão foi vista de duas maneiras pelos estudiosos. Alguns afirmavam que havia forte base física para as
diferenças, que as tornava inevitáveis e inalteráveis. Ao longo do tempo, a essas alegadas diferenças
físicas foram acrescidos as protuberâncias cranianas (frenologia), o tamanho e a forma do crânio
(craniologia) e, hoje em dia, os genes.2
Outros apontaram para a grande diversidade de formação de cada pessoa, suas experiências, o
treinamento ou formas de aprendizado. Talvez você se surpreenda ao saber que um dos grandes
defensores dessa opinião foi Alfred Binet, inventor do teste de quociente de inteligência (QI).3 Seria o
objetivo desse teste resumir a inteligência imutável das crianças? Na verdade, não. Binet, francês que
trabalhou em Paris no início do século XX, pretendia identificar as crianças que não estivessem obtendo
êxito no aprendizado nas escolas públicas parisienses, a fim de possibilitar a criação de novos
programas educativos que permitissem a sua recuperação. Sem negar as diferenças individuais nos
intelectos infantis, Binet acreditava que a educação e a prática seriam capazes de produzir mudanças
fundamentais na inteligência. Eis um trecho de uma de suas principais obras, Ideias modernas sobre as
crianças, no qual ele resume o trabalho que realizou com centenas de crianças que tinham dificuldades
de aprendizado:
Alguns filósofos modernos […] afirmam que a inteligência de um indivíduo é uma quantidade fixa, uma quantidade que não pode ser
aumentada. Devemos reagir e protestar contra esse pessimismo brutal. […] Com a prática, o treinamento e, acima de tudo, o método,
somos capazes de aperfeiçoar nossa atenção, nossa memória e nossa capacidade de julgamento, tornando-nos literalmente mais inteligentes
do que éramos antes.4

Quem terá razão? Hoje em dia, a maioria dos especialistas concorda que não há uma única resposta.
Não se trata de natureza ou estímulo, genes ou meio ambiente. A partir da concepção, há um intercâmbio
constante entre uma coisa e outra. Com efeito, como diz Gilbert Gottlieb, eminente neurocientista, não
apenas os genes e o meio ambiente cooperam entre si à medida que nos desenvolvemos, como os genes
necessitam da contribuição do meio ambiente, a fim de funcionar de maneira adequada.5
Ao mesmo tempo, os cientistas estão percebendo que as pessoas têm maior capacidade do que se
havia imaginado para aprender e desenvolver o cérebro durante toda a vida. É claro que cada um possui
uma dotação genética específica. As pessoas podem ter diferentes temperamentos e aptidões no início de
suas vidas, mas evidentemente a experiência, o treinamento e o esforço pessoal conduzem-nas no restante
do percurso. Robert Sternberg, o guru da inteligência na atualidade, escreveu que o principal modo de
aquisição de conhecimento especializado “não é alguma capacidade prévia e fixa, e sim a dedicação com
objetivo”.6 Ou, como reconheceu seu precursor Binet, nem sempre as pessoas que começam a vida como
as mais inteligentes acabam sendo as mais inteligentes.

O QUE TUDO ISSO SIGNIFICA PARA VOCÊ? OS DOIS TIPOS DE MINDSET

Ouvir opiniões de sábios sobre assuntos científicos é uma coisa. Outra é compreender de que forma essas
opiniões se aplicam a você. Minhas pesquisas ao longo de vinte anos demonstraram que a opinião que
você adota a respeito de si mesmo afeta profundamente a maneira pela qual você leva sua vida. Ela pode
decidir se você se tornará a pessoa que deseja ser e se realizará aquilo que é importante para você.
Como acontece isso? Como pode uma simples crença ter o poder de transformar sua psicologia e,
consequentemente, sua vida?
Acreditar que suas qualidades são imutáveis — o mindset fixo — cria a necessidade constante de
provar a si mesmo seu valor. Se você possui apenas uma quantidade limitada de inteligência,
determinada personalidade e certo caráter moral, nesse caso terá de provar a si mesmo que essas doses
são saudáveis. Não lhe agradaria parecer ou sentir-se deficiente quanto a essas características
fundamentais.
Alguns de nós aprendemos a adotar esse mindset desde a tenra infância. Ainda criança, eu me
preocupava em ser inteligente, mas o verdadeiro mindset ficou na verdade marcado em mim por causa da
sra. Wilson, minha professora da sexta série. Ao contrário de Alfred Binet, ela achava que os resultados
do QI revelavam exatamente quem eram as pessoas. Nossas carteiras na sala eram arrumadas em ordem
de QI, e somente os alunos de QI mais elevado eram encarregados de transportar a bandeira, cuidar dos
apagadores ou levar um bilhete ao diretor. Além da ansiedade que diariamente provocava com sua
atitude julgadora, criava também um mindset fixo no qual cada criança da classe tinha um objetivo
primordial: parecer inteligente, não boba. Quem poderia se ocupar de aprender, ou achar isso divertido,
quando a totalidade de nosso ser se sentia ameaçada cada vez que ela nos dava uma prova ou nos
interrogava na aula?
Já vi inúmeras pessoas que têm o único objetivo essencial de provar a si mesmas — na sala de aula,
em suas carreiras e em seus relacionamentos. Cada situação exige uma confirmação de sua inteligência,
personalidade ou caráter. Cada situação passa por uma avaliação: Terei sucesso ou fracassarei? Farei
papel de tolo ou me mostrarei inteligente? Serei aceito ou rejeitado? Vou me sentir vencedor ou
derrotado?
Mas não é fato que nossa sociedade valoriza a inteligência, a personalidade e o caráter? Não é normal
querer desenvolver essas características? Sim, mas…
Há outro mindset no qual essas características não são simplesmente como cartas de baralho que você
recebe e com as quais tem de viver, sempre tentando convencer a si mesmo e aos demais que tem um
royal flush nas mãos, quando no íntimo teme ter somente um par de dez. Nesse outro mindset, as cartas
recebidas constituem apenas o ponto de partida do desenvolvimento. Esse mindset de crescimento se
baseia na crença de que você é capaz de cultivar suas qualidades básicas por meio de seus próprios
esforços. Embora as pessoas possam diferir umas das outras de muitas maneiras — em seus talentos e
aptidões iniciais, interesses ou temperamentos —, cada um de nós é capaz de se modificar e desenvolver
por meio do esforço e da experiência.
Será que as pessoas dotadas desse mindset acreditam que qualquer um pode se tornar qualquer coisa,
que qualquer pessoa com a motivação ou a instrução adequada pode se transformar em um Einstein ou em
um Beethoven? Não, mas acreditam que o verdadeiro potencial de uma pessoa é desconhecido (e
impossível de ser conhecido); que não se pode prever o que alguém é capaz de realizar com anos de
paixão, esforço e treinamento.
Você sabia que Darwin e Tolstói foram considerados alunos medianos? Que Ben Hogan, um dos

maiores jogadores de golfe de todos os tempos, era completamente descoordenado e desajeitado quando
criança? Que a fotógrafa Cindy Sherman, que aparece praticamente em todas as listas dos artistas mais
importantes do século XX, foi reprovada em seu primeiro curso de fotografia? Que Geraldine Page, uma
de nossas maiores atrizes, foi aconselhada a abandonar a profissão por falta de talento?
Você pode agora perceber como a crença de que é possível desenvolver as qualidades desejadas cria
uma paixão pelo aprendizado. Por que perder tempo provando constantemente a si mesmo suas grandes
qualidades se você pode se aperfeiçoar? Por que ocultar as deficiências em vez de vencê-las? Por que
procurar amigos ou parceiros que nada mais farão do que dar sustentação a sua autoestima, em vez de
outros que o estimularão efetivamente a crescer? E por que buscar o que já é sabido e provado, em vez
de experiências que o farão se desenvolver? A paixão pela busca de seu desenvolvimento e por
prosseguir nesse caminho, mesmo (e especialmente) quando as coisas não vão bem, é o marco distintivo
do mindset de crescimento. Esse é o mindset que permite às pessoas prosperar em alguns dos momentos
mais desafiadores de suas vidas.

UMA VISÃO A PARTIR DE CADA MINDSET7

Para ter uma melhor visão do funcionamento dos dois mindsets, imagine — da forma mais vívida
possível — que você é um jovem num dia realmente ruim:
Certo dia, você está numa aula muito importante para você, e da qual gosta muito. O professor entrega aos alunos as provas de meio de
semestre corrigidas. Sua nota foi cinco. Você fica muito decepcionado. Naquela tarde, ao voltar para casa, descobre que seu carro foi
multado por estacionamento em local proibido. Completamente frustrado, você telefona para seu melhor amigo para compartilhar tudo o que
lhe aconteceu, mas ele não lhe dá muita atenção.

O que você pensaria? O que sentiria? O que faria?
As pessoas que adotam o mindset fixo me responderam assim: “Eu me sentiria rejeitado”, “Sou um
fracasso total”, “Sou um idiota”, “Sou um perdedor”, “Me sentiria inútil e tolo — todos os outros são
melhores do que eu”, “Sou um lixo”. Em outras palavras, entenderiam o que aconteceu como uma medida
direta de sua competência e de seu valor.
Eis o que pensariam sobre suas vidas: “Minha vida é lamentável”, “Não tenho vida”, “Alguém lá em
cima não gosta de mim”, “Todos estão contra mim”. “Alguém quer acabar comigo”, “Ninguém gosta de
mim, todos me odeiam”, “A vida é injusta e todos os esforços são inúteis”, “A vida é um horror. Sou um
idiota. Nada de bom me acontece”, “Sou a pessoa mais sem sorte do mundo”.
Perdão, mas houve morte e destruição ou simplesmente uma nota baixa, uma multa e um telefonema
desagradável?
Serão essas apenas pessoas com baixa autoestima? Ou serão pessimistas de carteirinha? Não. Quando
não estão lidando com o fracasso, sentem-se tão valiosas e otimistas — e inteligentes e atraentes —
quanto as que adotam o mindset de crescimento.
Então, de que maneira lidam com o fracasso? “Eu não me preocuparia em perder tempo me esforçando
para fazer bem qualquer coisa.” (Em outras palavras, não deixarei que ninguém me avalie novamente.)
“Não farei nada.” “Ficarei na cama.” “Vou encher a cara.” “Vou comer.” “Vou dar uma bronca em alguém
se tiver oportunidade.” “Vou comer chocolate.” “Vou ouvir música e ficar de cara feia.” “Vou entrar no
armário e ficar lá dentro.” “Vou arranjar uma briga com alguém.” “Vou chorar.” “Vou quebrar alguma
coisa.” “Que mais posso fazer?”
Que mais posso fazer! Vejam, quando elaborei aquela situação hipotética, determinei que a nota fosse
cinco, e não dois, que a prova fosse do meio do semestre, e não a final, que fosse uma multa, e não um
acidente. O amigo do protagonista “não lhe deu muita atenção”, mas não o rejeitou completamente. Nada
do que aconteceu era catastrófico ou irreversível. Mesmo assim, a partir dessa matéria-prima o mindset
fixo criou o sentimento de completo fracasso e paralisia.
Quando propus a mesma situação a pessoas de mindset de crescimento, eis o que responderam:
“Preciso me esforçar mais na matéria e ser mais cuidadoso quando estacionar o carro. E imagino que
meu amigo tenha tido um dia difícil”.
“A nota cinco mostra que devo me dedicar muito mais às aulas, mas ainda tenho o resto do semestre
para melhorar a média”.
Houve muitas outras respostas como essas, mas acho que você já entendeu. Como essas pessoas
enfrentariam o fracasso? Diretamente.
“Eu começaria a pensar em estudar com mais empenho (ou estudar de maneira diferente) para a
próxima prova da matéria, pagaria a multa e esclareceria as coisas com meu amigo na próxima vez em
que nos falássemos.”

“Verificaria em que fui mal na prova, tomaria a decisão de melhorar, pagaria a multa e ligaria para
meu amigo para explicar que no dia anterior eu estava nervoso.”
“Estudaria mais para a prova seguinte, conversaria com o professor, seria mais cuidadoso ao
estacionar ou contestaria a multa, e procuraria saber qual tinha sido o problema de meu amigo.”
Qualquer que fosse seu mindset, você ficaria chateado. Quem não ficaria? Notas baixas, multas ou
desinteresse da parte de um amigo ou pessoa querida não são coisas agradáveis. Ninguém esfregaria as
mãos de satisfação. Mas as pessoas com o mindset de crescimento não se rotularam nem se
desesperaram. Embora se sentissem aflitas, estavam dispostas a assumir os riscos, enfrentar os desafios e
continuar a se esforçar.

MAS, ENTÃO, QUAL É A NOVIDADE?

Essa é uma ideia nova? Há muitos ditados que mostram a importância do risco e o poder da persistência,
como “Quem não arrisca não petisca”, “Se não der certo da primeira vez, tente uma segunda e uma
terceira” ou “Roma não foi feita em um só dia”. (Aliás, fiquei encantada ao saber que os italianos usam a
mesma expressão.) O que verdadeiramente surpreende é que as pessoas de mindset fixo não
concordariam com isso. Para elas, os ditados seriam: “Se eu não arriscar, nada perderei”, “Se não der
certo da primeira vez, é porque provavelmente não tenho competência”, “Se Roma não foi feita em um só
dia, provavelmente foi porque não poderia ser feita em menos tempo”. Em outras palavras, risco e
esforço são duas coisas capazes de revelar suas deficiências e mostrar que você não está à altura da
tarefa. Com efeito, é espantoso verificar até que ponto as pessoas de mindset fixo não acreditam no
esforço.
O que também constitui novidade é que as ideias das pessoas a respeito de risco e esforço derivam de
seus mindsets mais básicos. Não se trata somente do fato de que algumas pessoas são capazes de
reconhecer o valor de desafiar a si mesmas e a importância do esforço. Nossa pesquisa demonstrou que
isso deriva diretamente do mindset de crescimento. Quando ensinamos a alguém esse mind​set, cujo ponto
focal é o desenvolvimento, as ideias sobre desafio e esforço vêm em seguida. Da mesma forma, não se
trata somente de que para algumas pessoas o desafio e o esforço podem não ser agradáveis. Quando
(temporariamente) colocamos alguém num mindset fixo, que se concentra nas características permanentes,
essa pessoa rapidamente passa a temer o desafio e a desvalorizar o esforço.
Vemos com frequência livros com títulos como Os dez segredos das pessoas mais bem-sucedidas do
mundo lotando as prateleiras das livrarias, e esses livros podem fornecer muitas dicas úteis. Mas em
geral nada mais são do que uma lista de conselhos sem relação uns com os outros, como “Assuma mais
riscos!” ou “Acredite em você mesmo!”. Você passa a admirar as pessoas capazes de fazer isso, mas
nunca fica claro de que forma essas coisas se inter-relacionam ou como você poderia alcançar esse
caminho. Assim, você se sente inspirado durante alguns dias, mas basicamente as pessoas mais bemsucedidas do mundo conservam seus segredos bem guardados.
Ao contrário disso, à medida que você começa a compreender os mind​sets fixo e de crescimento,
passa a ver exatamente como uma coisa leva a outra — como a crença de que suas qualidades são
imutáveis gera diferentes pensamentos e atos, e como a crença de que suas qualidades são suscetíveis de
serem cultivadas gera diferentes pensamentos e atos, guiando-o por um caminho completamente distinto.
É o que nós, psicólogos, chamamos de uma experiência de descoberta. Não apenas vi isso em minha
pesquisa quando ensinamos a alguém um novo mindset, mas recebo a toda hora cartas de pessoas que
leram minhas obras.
Essas pessoas reconhecem a si mesmas: “Ao ler seu artigo, literalmente me vi repetindo: ‘Isso sou eu,
isso sou eu!’”. Percebem as conexões: “Seu artigo me entusiasmou. Senti que havia descoberto o segredo
do universo!”. Sentem que seus mindsets se reorientam: “Sem dúvida sou capaz de relatar uma espécie de
revolução pessoal que acontece em meu próprio raciocínio, e esse sentimento é excitante”. E são capazes
de pôr essas novas ideias em prática para si mesmas e para os outros: “Seu trabalho permitiu que eu
transformasse meu trabalho com crianças e olhasse a educação por um prisma completamente diferente”
ou “Gostaria de informá-la do impacto, tanto no nível pessoal quanto no prático, que sua extraordinária
pesquisa trouxe para centenas de estudantes”.

AUTOPERCEPÇÃO: QUEM TEM IDEIAS PRECISAS SOBRE SUAS CAPACIDADES E LIMITAÇÕES?

Bem, pessoas com mindset de crescimento podem não se achar nenhum Einstein ou Beethoven, mas não
será mais provável que tenham opiniões exageradas a respeito de suas capacidades e busquem coisas
além de seu nível de competência? De fato, estudos mostram que poucos sabem avaliar suas
capacidades.8 Recentemente, procuramos investigar que tipo de pessoa conseguiria fazer avaliações mais
precisas sobre si mesma.9 Sem dúvida, verificamos que há muito pouca exatidão nas estimativas de seu
desempenho e de suas capacidades. Mas aqueles com mindset fixo foram responsáveis por quase toda a
inexatidão. Pessoas de mindset de crescimento foram extraordinariamente precisas.
Pensando bem, faz sentido. Se você acreditar que é capaz de se aperfeiçoar, assim como fazem os que
adotam o mindset de crescimento, estará aberto a informações exatas sobre suas capacidades atuais,
ainda que não sejam lisonjeiras. Além disso, se estiver orientado para o aprendizado, como estão essas
pessoas, terá necessidade de informações exatas sobre sua capacidade, a fim de aprender com
eficiência. No entanto, se quaisquer dados sobre suas preciosas características forem vistos como boas
notícias ou más notícias, como ocorre com as pessoas de mindset fixo, é quase inevitável que aconteçam
distorções. Alguns resultados serão enaltecidos, outros, desprezados, e você acabará sem realmente se
conhecer.
Em seu livro Mentes extraordinárias, Howard Gardner concluiu que os indivíduos extraordinários
possuem “um talento especial para identificar seus próprios pontos fortes e fracos”.10 É interessante
observar que os que têm mindset de crescimento parecem possuir esse talento.

O QUE O FUTURO NOS RESERVA

Outra coisa que os indivíduos extraordinários parecem possuir é um talento especial para converter em
sucesso futuro as adversidades da vida. Os estudiosos de criatividade concordam. Numa enquete com
143 pesquisadores da criatividade, houve amplo acordo sobre o principal ingrediente para a obtenção de
sucesso criativo.11 E esse ingrediente era exatamente o tipo de perseverança e resiliência produzido pelo
mindset de crescimento.
Você pode voltar a perguntar: Como é possível que uma crença leve a tudo isso — gosto pelo desafio,
confiança no esforço, resiliência diante de adversidades e maior (e mais criativo!) sucesso? Nos
próximos capítulos, você verá exatamente como isso acontece: como o mindset altera o que as pessoas
buscam e o que identificam como sucesso. De que maneira ele modifica a definição, a importância e o
impacto do fracasso, e como transforma o sentido mais profundo do esforço. Verá como os mindsets
funcionam na escola, no esporte, no trabalho e nos relacionamentos. Verá de onde eles vêm e como
podem ser modificados.

DESENVOLVA SEU MINDSET

Qual é o seu mindset?12 Responda a estas perguntas sobre inteligência. Leia cada uma das afirmativas
seguintes e diga se, na maior parte das vezes, concorda ou não com elas.
1. Sua inteligência é algo muito pessoal, e você não pode transformá-la demais.
2. Você é capaz de aprender coisas novas, mas, na verdade, não pode mudar seu nível de inteligência.
3. Qualquer que seja seu nível de inteligência, sempre é possível modificá-la bastante.
4. Você é capaz de mudar substancialmente seu nível de inteligência.
As afirmativas 1 e 2 referem-se ao mindset fixo. As de número 3 e 4 refletem o mindset de
crescimento. Com qual dos dois grupos você concorda mais? É possível que sua resposta seja mista, mas
a maioria das pessoas se inclina mais para um grupo do que para o outro.
Você também possui crenças a respeito de outras capacidades. Pode substituir “inteligência” por
“talento artístico”, “tino comercial” ou “aptidão para esportes”. Tente fazer isso.
Não se trata somente de suas aptidões, mas também de suas qualidades pessoais. Veja estas afirmações
sobre personalidade e caráter e decida se concorda ou não com cada uma delas.
1. Você é certo tipo de pessoa, e não há muito o que se possa fazer para mudar esse fato.
2. Independente do tipo de pessoa que você seja, sempre é possível modificá-lo substancialmente.
3. Você pode fazer as coisas de maneira diferente, mas a essência daquilo que você é não pode ser
realmente modificada.
4. Você é capaz de modificar os elementos básicos do tipo de pessoa que você é.
Aqui, as afirmativas 1 e 3 se referem ao mindset fixo, e as de número 2 e 4 refletem o mindset de
crescimento. Com qual dos dois grupos você se identifica mais?
Seria esse resultado diferente de seu mindset em relação à inteligência? É possível. Seu “mindset para
a inteligência” entra em ação quando as situações envolvem capacidade mental.
Seu “mindset para a personalidade” entra em ação nas situações que envolvem suas qualidades
pessoais — por exemplo, quão confiável, cooperativo, atencioso ou socialmente habilidoso você é. O
mindset fixo faz com que você se preocupe com a forma pela qual será avaliado; o mindset de
crescimento torna-o interessado em seu aperfeiçoamento.
Eis aqui algumas outras situações para se pensar sobre os mindsets:
Pense em alguém que você conheça que esteja mergulhado no mindset fixo. Veja como essas
pessoas sempre procuram se pôr à prova e como são supersensíveis a respeito da possibilidade de
terem opiniões equivocadas ou de cometerem erros. Você já se perguntou por que elas são assim?
(Você é assim?) Agora você pode começar a compreender os motivos.
Pense em alguém que você conheça que tenha as aptidões do mindset de crescimento, alguém
que compreenda que as qualidades importantes podem ser cultivadas. Pense em como essas
pessoas enfrentam os obstáculos. Pense naquilo que fazem para se aperfeiçoar. Em que você
gostaria de se modificar ou aperfeiçoar?
Muito bem, agora imagine que você resolveu aprender um novo idioma e se matriculou num
curso. Depois de algumas aulas, o professor chama você para a frente da sala e começa a lhe
fazer uma série de perguntas.

Coloque-se na posição de quem tem um mindset fixo. Sua capacidade está em jogo. É capaz de sentir
que todos os colegas estão olhando para você? É capaz de ver a fisionomia do professor enquanto o
avalia? Sinta a tensão, sinta seu ego estilhaçar-se e hesitar. Em que mais você está pensando e o que
está sentindo?
Agora se coloque no lugar de uma pessoa com mindset de crescimento. Você é iniciante, e por isso
está ali. Está ali para aprender. O professor é um facilitador para o aprendizado. Sinta que a tensão se
esvai; sinta sua mente se abrir.
A mensagem é a seguinte: você é capaz de mudar seu mindset.

2. Por dentro dos mindsets

Quando eu era jovem, queria ter um companheiro que fosse como um príncipe: um homem lindo e bemsucedido. Um homem importante. Queria ter uma carreira glamorosa, mas nada que fosse difícil nem
arriscado demais. E queria que isso representasse uma confirmação daquilo que eu era.
Passaram-se muitos anos até que eu me sentisse satisfeita. Consegui um excelente marido, mas ele
ainda estava em formação. Tenho uma ótima carreira, mas, sem dúvida, é um desafio permanente. Nada
foi fácil. Então, por que me sinto satisfeita? Porque mudei meu mindset.
Mudei-o por causa de meu trabalho. Um dia, eu e Mary Bandura, uma aluna de doutorado, tentávamos
compreender por que alguns estudantes se preocupavam tanto em demonstrar suas capacidades, enquanto
outros simplesmente se deixavam levar e tratavam de aprender. De repente, percebemos que havia dois
tipos de capacidade, e não apenas um: uma capacidade fixa, que precisa ser provada, e outra mutável,
capaz de desenvolver-se por meio do aprendizado.
Assim descobrimos os mindsets. Imediatamente percebi qual era o tipo que eu possuía. Compreendi o
motivo de minha grande preocupação com erros e fracassos. E pela primeira vez me dei conta de que
podia escolher.
Quando adotamos um mindset, ingressamos num novo mundo. Num dos mundos — o das
características fixas —, o sucesso consiste em provar que você é inteligente ou talentoso. Afirmar-se. No
outro mundo — o das qualidades mutáveis —, a questão é abrir-se para aprender algo novo.
Desenvolver-se.
Num dos mundos, o fracasso está em encontrar uma adversidade. Tirar uma nota baixa. Perder um
torneio. Ser despedido do trabalho. Ser rejeitado. Isso quer dizer que você não é inteligente nem
talentoso. No outro mundo, o fracasso significa não crescer. Não atingir as coisas a que você dá valor. O
que quer dizer que você não está realizando suas potencialidades.
Num mundo, o esforço é algo ruim. Assim como o fracasso, ele indica que você não é inteligente nem
talentoso. Se fosse, não precisaria fazer esforço. No outro mundo, o esforço é o que torna você
inteligente ou talentoso.
Você tem escolha. Os mindsets nada mais são do que crenças. São crenças poderosas, mas são apenas
algo que está em sua mente, e você pode mudar sua mente. Enquanto lê, pense aonde gostaria de ir e que
mindset pode levá-lo até lá.

SUCESSO TEM A VER COM APRENDIZADO OU SERVE PARA PROVAR QUE VOCÊ É INTELIGENTE?

Benjamin Barber, eminente teórico político, disse certa vez: “Não divido o mundo entre os fracos e os
fortes, ou entre sucessos e fracassos […] divido o mundo entre os que aprendem e os que não
aprendem”.1
O que tornaria uma pessoa alguém que não aprende? Todos nascem com um intenso ímpeto de
aprender. Os bebês conquistam diariamente novas aptidões. Não são habilidades simples, mas as tarefas
mais difíceis da vida, como aprender a caminhar e a falar. Eles nunca acham muito difícil ou que não vale
a pena o esforço. Os bebês não se preocupam em errar ou se humilhar. Caminham, caem, levantam-se.
Simplesmente seguem adiante.
O que poderia dar fim a esse exuberante aprendizado? O mindset fixo. Logo que as crianças aprendem
a se avaliar, algumas passam a ter medo de desafios. Passam a temer não serem inteligentes. Estudei
milhares de indivíduos, a partir da idade pré-escolar, e é espantoso ver como muitos rejeitam as
oportunidades de aprender.
Oferecemos uma escolha a crianças de quatro anos.2 Poderiam refazer um quebra-cabeça fácil ou
tentar outro, mais difícil. Mesmo nessa tenra idade, as crianças que adotavam um mindset fixo — as que
acreditavam que os traços são imutáveis — preferiam a alternativa mais segura. As crianças que já
nascem inteligentes “não cometem erros”, elas nos disseram.
As crianças que adotavam o mindset de crescimento — as que acreditavam ser possível ficar mais
inteligente — acharam estranha essa escolha. Por que está me pedindo isso? Por que alguém vai querer
continuar fazendo o mesmo quebra-cabeça? Escolhiam sempre um novo e mais difícil. “Estou louca
para descobrir a solução!”, exclamou uma menininha.
Assim, as crianças de mindset fixo querem ter certeza de que terão êxito. Pessoas inteligentes sempre
devem ter êxito. Já para as crianças de mindset de crescimento, o sucesso significa desenvolver-se.
Significa ficarem mais inteligentes.
Uma menina da sétima série resumiu a questão.3
Acho que a inteligência é uma coisa que exige esforço para se conseguir […] não é simplesmente um dom […]. A maioria das crianças não
se oferece para responder a uma pergunta se não tiver certeza da resposta. Mas eu geralmente levanto minha mão para responder, porque,
se estiver errada, meu erro será corrigido. Ou então levanto a mão e pergunto: “Como posso resolver esse problema?”, ou “Não entendi
bem. Você pode me ajudar?”. Fazendo isso, estou aumentando minha inteligência.
Além dos quebra-cabeças

Uma coisa é desistir de resolver um quebra-cabeça. Outra é recusar uma oportunidade importante para
seu futuro.4 Para ver se isso aconteceria, aproveitamos uma situação pouco comum. Na Universidade de
Hong Kong, todo o ensino é em inglês. As aulas são dadas em inglês, os livros didáticos são em inglês e
as provas são feitas em inglês. Mas alguns dos alunos que entram para a universidade não têm fluência
nesse idioma, e por isso é importante que resolvam logo esse problema.
Quando os estudantes vieram matricular-se no primeiro ano, sabíamos quais deles não tinham fluência
em inglês. Então lhes fizemos uma pergunta-chave: se a universidade oferecesse um curso para os que
precisassem melhorar o inglês, eles se inscreveriam?
Também verificamos o mindset de cada um. Para isso, perguntamos até que ponto concordariam com
uma afirmação do tipo: “Você tem certo nível de inteligência, e não pode fazer muito para modificá-lo”.
As pessoas que concordam com essa afirmação são as que têm mindset fixo.
Os que têm mindset de crescimento concordam com a afirmação: “Você tem sempre a possibilidade de

mudar substancialmente seu nível de inteligência”.
Mais tarde, verificamos os que haviam aceitado o curso de inglês. Aqueles que adotavam o mindset de
crescimento aceitaram a proposta com entusiasmo. Mas os de mindset fixo não demonstraram grande
interesse.
Por acreditar que o sucesso tem a ver com a obtenção de conhecimento, os alunos de mindset de
crescimento aproveitaram a oportunidade. Mas os de mindset fixo não desejavam revelar suas
deficiências. Em vez disso, para se sentirem inteligentes a curto prazo, estavam dispostos a arriscar sua
carreira universitária.
É dessa forma que o mindset fixo transforma as pessoas em pessoas que não aprendem.
Ondas cerebrais reveladoras5

É até mesmo possível verificar a diferença nas ondas cerebrais. Levamos pessoas de ambos os mindsets
a nosso laboratório de ondas cerebrais na Universidade Columbia. Enquanto respondiam a perguntas
difíceis e recebiam um feedback, esperávamos curiosos o momento em que suas ondas cerebrais
indicariam se estavam interessadas e atentas.
As pessoas de mindset fixo somente se interessavam quando a reação se referia a sua capacidade. As
ondas cerebrais delas mostravam que só prestavam bastante atenção quando lhes dizíamos se suas
respostas haviam sido corretas ou incorretas. Mas quando lhes apresentávamos informações que
poderiam ajudá-las a aprender, não havia indício de interesse. Mesmo quando erravam, não se
interessavam em saber qual era a resposta correta.
Somente as pessoas de mindset de crescimento prestaram atenção rigorosa em informações que
podiam aumentar seu conhecimento. Somente para elas o aprendizado era prioridade.
Qual é a sua prioridade?

Se você tivesse de escolher, qual seria sua preferência? Alto nível de sucesso e de reconhecimento ou
muitos desafios?
Essas escolhas não precisam ser feitas apenas em relação a tarefas intelectuais.6 As pessoas também
têm de decidir que tipo de relacionamento desejam: os que gratificam seus egos ou os que as desafiam a
se desenvolver? Quem é o seu companheiro ideal? Fizemos essa pergunta a jovens adultos, e eis o que
nos responderam.
As pessoas com mindset fixo disseram que o companheiro ideal deveria:
Colocá-las em um pedestal.
Fazê-las sentirem-se perfeitas.
Adorá-las.
Em outras palavras, o parceiro ideal homologaria suas qualidades imutáveis. Meu marido diz que
antigamente se sentia assim, querendo ser o deus da religião de alguém (sua parceira). Felizmente,
abandonou essa ideia antes de me conhecer.
As pessoas de mindset de crescimento desejavam uma pessoa diferente. Responderam que o
companheiro ideal teria que:
Perceber seus erros e as ajudar a se aperfeiçoarem.
Desafiá-las a se tornarem pessoas melhores.
Estimulá-las a aprender coisas novas.
Com certeza não queriam alguém que ficasse de picuinhas ou que abalasse sua autoestima, e sim

pessoas que promovessem seu desenvolvimento. Não se consideravam seres completamente evoluídos,
sem defeitos, que nada mais tinham a aprender.
Você já deve estar pensando: Muito bem, mas o que acontece quando duas pessoas de mindsets
diferentes se juntam? Uma mulher de mindset de crescimento fala de seu casamento com um homem de
mindset fixo:
Mal saí da igreja quando comecei a perceber que tinha cometido um grande erro. Cada vez que eu dizia alguma coisa como “Por que não
procuramos sair um pouco mais?” ou “Gostaria que você me consultasse antes de tomar decisões”, ele ficava arrasado. Depois, em vez de
falar sobre o assunto que tinha levantado, eu passava literalmente uma hora consertando o estrago e fazendo com que se sentisse bem
novamente. Além disso, ele corria ao telefone para ligar para a mãe, que sempre o enchia da constante adoração de que ele parecia
necessitar. Ambos éramos jovens e novatos no casamento. Tudo o que eu queria era me comunicar.

Assim, a ideia que o marido fazia de um relacionamento bem-sucedido — aceitação total e sem crítica
— não era a mesma da mulher. E a ideia que a mulher fazia de um relacionamento bem-sucedido —
enfrentar os problemas — não era a do marido. O crescimento de um dos parceiros era o pesadelo do
outro.
A doença do CEO

Por falar em reinar do alto de um pedestal e desejar ser considerado perfeito, você não se surpreenderá
ao saber que isso é muitas vezes chamado “doença do CEO”. Lee Iacocca foi um caso grave dessa
enfermidade.7 Depois do sucesso inicial como chefão da Chrysler Motors, Iacocca se assemelhava muito
aos meninos de quatro anos com mindset fixo. Continuou a produzir repetidamente os mesmos modelos de
carros, com modificações apenas superficiais. Infelizmente, eram modelos que ninguém queria mais.
Enquanto isso, as firmas japonesas estavam repensando completamente qual deveria ser a aparência
dos automóveis e como deveriam funcionar. Sabemos o resultado disso: os carros japoneses rapidamente
conquistaram o mercado.
Os CEOs se veem constantemente diante dessa escolha. Deveriam olhar de frente suas deficiências ou
criar um mundo em que não tenham nenhuma? Lee Iacocca escolheu a segunda opção. Cercou-se de
adoradores, exilou os críticos e rapidamente perdeu o contato com o rumo que seu campo de atividade
iria seguir. Tornou-se uma pessoa que já não aprendia.
Nem todos, porém, pegam a doença dos CEOs. Muitos grandes líderes enfrentam regularmente suas
deficiências. Ao refletir sobre seu extraordinário desempenho na Kimberly-Clark, Darwin Smith
declarou: “Nunca deixei de tentar estar à altura de meu cargo”.8 Esses homens, assim como os estudantes
de Hong Kong com mindset de crescimento, jamais deixaram de seguir o curso suplementar.
Os CEOs enfrentam outro dilema. Podem preferir estratégias de curto prazo que aumentem o valor das
ações da firma e façam com que pareçam heróis. Ou podem trabalhar em busca de aperfeiçoamento de
longo prazo, arriscando-se à desaprovação de Wall Street ao lançar as bases para a saúde e o
crescimento da empresa num prazo mais longo.
Albert Dunlap, que confessava possuir mindset fixo, foi levado à firma Sunbeam para reorganizá-la.9
Preferiu a estratégia de curto prazo: aparecer como um herói para a Bolsa de Valores. As ações se
valorizaram, mas a firma se esfacelou.
Lou Gerstner, que afirmava ter mindset de crescimento, foi chamado para reformular a IBM.10 Ao
dedicar-se à imensa tarefa de mudar a cultura e as políticas da empresa, os preços das ações estagnaram,
e Wall Street torceu o nariz. Ele foi considerado um fracasso. Poucos anos depois, no entanto, a IBM
voltou à liderança em seu campo de atividade.

Desenvolvimento

No mindset de crescimento, as pessoas não apenas buscam o desafio, mas prosperam com ele. Quanto
maior o desafio, mais elas se desenvolvem. E em nenhum lugar isso pode ser visto com mais clareza do
que no mundo dos esportes. Você pode observar as pessoas se desenvolverem e crescerem.
Mia Hamm, a maior jogadora de futebol de seu tempo, diz isso com clareza: “Durante toda a minha
vida joguei acima de minha categoria, isto é, desafiei a mim mesma com gente mais velha, mais forte,
mais habilidosa e mais experiente — em suma, melhores do que eu”.11 Primeiro, jogou com o irmão mais
velho. Em seguida, aos dez anos de idade, entrou para a equipe de meninos de onze anos. Depois se
lançou na principal equipe universitária dos Estados Unidos. “Todos os dias eu procurava jogar no nível
deles […] e melhorei mais depressa do que julgava ser possível.”
Patricia Miranda era uma aluna do ensino médio, gordinha e sem físico atlético, que queria dedicar-se
à luta livre.12 Depois de uma contundente derrota, alguém lhe disse: “Você é uma piada”. Primeiro ela
chorou, depois se decidiu: “Aquilo realmente me fez tomar uma atitude firme […]. Eu precisava ir
adiante e tinha de saber se a dedicação, o esforço e a concentração no treinamento poderiam de alguma
forma fazer com que me afirmasse como lutadora”. Como conseguiu chegar a essa decisão?
Miranda havia levado uma vida sem desafios. Mas, quando a mãe morreu de aneurisma aos quarenta
anos, ela, com dez, descobriu um lema: “Quando você jaz no leito de morte, uma das coisas mais sensatas
que poderia dizer é: ‘Eu realmente procurei me conhecer’. Esse sentimento de urgência ficou marcado em
mim quando minha mãe morreu. Se você passar pela vida fazendo somente o que é fácil, deve se
envergonhar”. Assim, quando a luta livre lhe apresentou um desafio, ela estava preparada para enfrentálo.
Seu esforço foi recompensado. Aos 24 anos, foi Miranda quem riu por último. Ganhou a vaga em sua
categoria de peso na equipe olímpica dos Estados Unidos e voltou de Atenas com uma medalha de
bronze. E o que aconteceu em seguida? Entrou para a Faculdade de Direito da Universidade Yale. As
pessoas lhe diziam para ficar onde já era campeã, mas Miranda achou mais estimulante começar
novamente de baixo e ver que conquistas poderiam se seguir dessa vez.
Desenvolver-se além do possível

Às vezes as pessoas de mindset de crescimento se esforçam tanto que realizam o impossível. Em 1995, o
ator Christopher Reeve caiu de um cavalo.13 Quebrou o pescoço, a medula espinhal se separou do
cérebro e ele ficou completamente paralisado do pescoço para baixo. A ciência médica disse: Sinto
muito. Adapte-se a isso.
Reeve, entretanto, iniciou um extenuante programa de exercícios que exigia a movimentação de todas
as partes de seu corpo paralítico por meio de estímulos elétricos. Por que não poderia aprender a se
mover novamente? Por que seu cérebro não poderia voltar a transmitir ordens a que o corpo obedeceria?
Os médicos advertiram-no de que não havia jeito e que o resultado seria a decepção. Já tinham visto
outras pessoas na mesma situação, e não era bom sinal para sua adaptação. Mas, na verdade, o que mais
ele poderia fazer com o tempo que tinha diante de si? Haveria um projeto melhor?
Cinco anos depois, Reeve começou a recuperar os movimentos. Primeiro aconteceu com as mãos,
depois os braços, em seguida as pernas e finalmente o tórax. Estava muito longe da cura, mas os exames
cranianos mostraram que seu cérebro novamente mandava sinais para o corpo e que o corpo reagia. Ele
não apenas ampliou sua capacidade, mas mudou completamente a maneira pela qual a ciência vê o
sistema nervoso e seu potencial de recuperação. Ao fazer isso, abriu um novo panorama para a pesquisa

e uma nova via de esperança para as pessoas portadoras de lesões na medula espinhal.
Prosperar no que é seguro

É evidente que pessoas de mindset de crescimento prosperam ao ir além de seus limites. E como
prosperam as pessoas de mindset fixo? Quando as coisas estão seguramente ao seu alcance. Se as coisas
forem muito desafiadoras — se não se sentirem inteligentes nem talentosas —, elas perdem o interesse.
Observei isso acontecer ao acompanhar alunos do curso básico de medicina durante o primeiro
semestre de química.14 Para muitos deles, aquele era o destino de suas vidas: tornarem-se médicos. E é
justamente o curso de química que define quem atingirá seu objetivo. É um curso bastante puxado. A nota
média em cada prova é cinco, para estudantes que raramente tiravam menos que nove.
A maior parte começou com grande interesse pela química. Mas, ao longo do semestre, algo aconteceu.
Os alunos de mindset fixo permaneceram interessados somente enquanto se davam bem. O interesse e o
prazer dos que acharam o curso difícil reduziram-se muito. Não eram capazes de satisfazer-se com um
curso que não servia como confirmação de sua inteligência.
“Quanto mais difícil fica”, relatou um aluno, “mais eu preciso me obrigar a abrir o livro e estudar para
as provas. Antes, a química me estimulava, mas agora, quando penso nessa matéria, tenho uma sensação
desagradável no estômago.”
Em contraste, os alunos de mindset de crescimento continuaram a demonstrar o mesmo grau elevado de
interesse, mesmo quando achavam a matéria muito desafiadora. “É muito mais difícil do que eu
imaginava, mas é o que quero fazer, e, portanto, isso me torna ainda mais decidido. Quando me dizem que
não serei capaz, é aí que eu me dedico mais.” O desafio e o interesse caminhavam juntos.
Presenciamos o mesmo fenômeno em alunos mais jovens.15 Demos quebra-​ -cabeças instigantes a
alunos da quinta série, e todos adoraram. Mas, quando aumentamos o grau de dificuldade, as crianças de
mindset fixo demonstraram grande queda em seu nível de satisfação. Também mudaram de ideia a
respeito de levar os quebra-cabeças para casa, a fim de se exercitarem. “Não preciso, pode ficar com
eles. Tenho outros iguais”, mentiu uma das crianças. Na verdade, passaram a ter horror aos quebracabeças.
O mesmo aconteceu com as crianças que melhor resolviam os enigmas. Ter “talento para quebracabeças” não impedia a queda do interesse.
As crianças de mindset de crescimento, por outro lado, não conseguiam abandonar os problemas
difíceis. Eram os que mais as agradavam e eram essas as que queriam levar os quebra-cabeças para casa.
“A senhora poderia escrever o nome desses quebra-cabeças?”, pediu uma criança. “Para minha mãe
comprar outros depois.”
Não faz muito tempo me interessei em ler a respeito da russa Marina Semyonova, grande bailarina e
professora de dança que descobriu uma maneira nova de selecionar seus alunos.16 Era um teste
inteligente para revelar o mindset. Conforme conta um de seus ex-discípulos, “primeiro, os estudantes
têm de passar por um estágio probatório durante o qual ela observa as reações aos elogios e às críticas.
Os mais receptivos às críticas são considerados promissores”.
Em outras palavras, ela separava os que se entusiasmavam com o que era fácil — aquilo que já
haviam dominado — daqueles que sentiam atração pelas dificuldades.
Nunca me esquecerei da primeira vez em que me vi dizendo: “Isso é difícil. É divertido”. Naquele
momento percebi que estava mudando meu mindset.
Quando você se sente inteligente: quando é perfeito ou quando está aprendendo? 17

Há coisas mais sérias a dizer, pois no mindset fixo não basta simplesmente ter êxito. Não basta parecer
inteligente e talentoso. É preciso ser praticamente perfeito, e é preciso ser perfeito logo de saída.
Perguntamos a várias pessoas, desde crianças do ensino fundamental até jovens: “Em que
circunstâncias você se sente inteligente?”. As diferenças foram marcantes. As pessoas de mindset fixo
disseram:
“Quando não cometo erros”.
“Quando termino uma tarefa rapidamente e ela fica perfeita”.
“Quando alguma coisa é fácil para mim, mas outras pessoas não conseguem fazê-la”.
A questão é ser perfeito imediatamente. Mas as de mindset de crescimento disseram:
“Quando é realmente difícil, e me esforço e realizo algo que não conseguia fazer antes”.
Ou: “[Quando] me dedico a alguma coisa por bastante tempo e começo a entendê-la”.
Para eles, não se trata de perfeição imediata. Trata-se de adquirir um conhecimento ao longo de certo
tempo: enfrentar um desafio e progredir.
Se você possui aptidões, para que precisa aprender?

Na verdade, indivíduos de mindset fixo acreditam que a aptidão se revelará por si só, antes que ocorra
qualquer aprendizado. Afinal, se você tiver aptidão, ela existe em você; se não a tiver, ela não existe.
Vejo isso o tempo todo.
Meu departamento na Columbia recebia seis novos estudantes de graduação a cada ano, entre os
candidatos que vinham de todas as partes do mundo. Todos apresentavam notas extraordinárias nas
provas e traziam recomendações entusiásticas de eminentes eruditos. Além disso, eram cobiçados pelas
principais escolas de graduação.
Bastava um dia para que alguns se sentissem completos impostores. Ontem eram gênios; hoje são
fracassados. Eis o que ocorre. Eles olham os professores e sua longa lista de publicações. “Oh, meu
Deus, não consigo fazer isso.” Olham os alunos mais adiantados que escrevem artigos para publicação e
fazem solicitações de bolsas. “Oh, meu Deus, não consigo fazer isso.” Sabem fazer provas e ganhar notas
altas, mas não sabem fazer aquilo — ainda. Esquecem-se do ainda.
Não será para isso que serve a escola, para ensinar? Eles estão ali para aprender como fazer aquilo, e
não porque já sabem tudo.
Eu me pergunto se não teria sido isso o que aconteceu a Janet Cooke e Stephen Glass. Ambos eram
jovens repórteres que dispararam ao topo — com artigos falsos. Janet Cooke ganhou o Prêmio Pulitzer
por seus artigos no ​Washington Post sobre um menino de oito anos viciado em drogas. O menino não
existia, e o prêmio foi mais tarde revogado. Stephen Glass foi o menino-prodígio de The New Republic
que parecia dispor de fontes e reportagens com as quais os jornalistas costumam sonhar. As fontes não
existiam e as histórias não eram verdadeiras.
Teriam ambos necessitado se mostrar imediatamente perfeitos? Teriam achado que reconhecer a
ignorância os desacreditaria diante dos colegas? Teriam pensado que deveriam sentir-se já como
repórteres calejados antes que se dessem ao trabalho de aprender como fazer? “Éramos estrelas —
estrelas precoces”, escreveu Stephen Glass, “e era isso o que importava.”18 O público considerou-os
desonestos, e o que cometeram foi desonestidade. Mas eu os vejo como jovens talentosos — jovens
desesperados — que sucumbiram à pressão do mindset fixo.
Na década de 1960, havia um ditado que dizia: “Vir a ser é melhor do que ser”. O mindset fixo não
permite às pessoas o luxo de vir a ser. Precisam ser logo.

Uma nota na prova é eterna

Examinemos mais de perto por que, no mindset fixo, é tão importante ser imediatamente perfeito. É
porque uma prova — uma só avaliação — pode representar uma medida para todo o sempre.
Há vinte anos, aos cinco anos de idade, Loretta veio com a família para os Estados Unidos. Poucos
dias depois, a mãe a levou a sua nova escola, onde prontamente a submeteram a um teste. Quase
imediatamente, a menina se viu em sua classe no jardim de infância; mas não na das Águias, a classe da
elite do jardim.
O tempo passou, no entanto, e Loretta foi transferida para as Águias, permanecendo com o mesmo
grupo de alunos até o final do ensino médio e colecionando um monte de prêmios escolares ao longo do
curso. No entanto, nunca se sentiu parte do grupo.
Convencera-se de que aquele primeiro teste havia diagnosticado sua capacidade imutável e
determinara que ela não era uma verdadeira Águia. O fato de ter somente cinco anos de idade e de ter
acabado de passar por uma mudança radical para outro país não importava. Nem o fato de que talvez
durante algum tempo não houvesse espaço para novos alunos na classe das Águias. Ou talvez a escola
tivesse achado que para ela seria uma transição mais fácil se começasse numa classe menos exigente.
Havia muitas formas de compreender o que acontecera e o que aquilo significava. Infelizmente, ela
escolheu a interpretação equivocada. Porque, no mundo do mindset fixo, não há maneira de se tornar
Águia. Se fosse verdadeiramente uma das Águias, teria passado no teste, sendo reconhecida
imediatamente como digna de ir para aquela classe.
O caso de Loretta é raro ou esse tipo de raciocínio é mais comum do que imaginamos?
Para descobrir isso, mostramos a alunos da quinta série uma caixa de papelão fechada e dissemos que
dentro havia um teste.19 Esse teste, prosseguimos, era destinado a medir uma importante aptidão escolar.
Não demos outras informações. Em seguida, fizemos perguntas sobre o teste. Primeiro, queríamos ter
certeza de que nossas informações tinham sido aceitas, e para isso perguntamos: “Até que ponto vocês
acham que esse teste mede uma aptidão escolar importante?”. Todas as crianças haviam acreditado em
nossa palavra.
Em seguida, perguntamos: “Vocês acham que esse teste mede a inteligência de vocês?”. E depois:
“Acham que esse teste mede a inteligência futura de vocês, quando crescerem?”.
Os alunos de mindset de crescimento haviam aceitado nossa palavra de que o teste media uma aptidão
importante, mas não acharam que medisse a inteligência deles. E certamente não acharam que o teste lhes
pudesse informar qual seria sua inteligência quando crescessem. Na verdade, um deles replicou: “Que
nada! Nenhum teste seria capaz de medir isso!”.
Mas os alunos de mindset fixo não apenas acreditaram que o teste seria capaz de aferir uma aptidão
importante. Acreditaram também, com a mesma convicção, que poderia medir sua inteligência e a
inteligência que teriam quando crescessem.
Eles conferiram a um teste a capacidade de medir sua inteligência mais básica, naquele momento e
para sempre. Deram ao teste o poder de definir quem eram e quem seriam. É por isso que cada êxito é tão
importante.
Mais um olhar sobre potencial

Isso nos leva novamente à ideia de “potencial”, e à questão de saber se os testes ou os especialistas
podem nos dizer qual é o nosso potencial, de que somos capazes e qual será nosso futuro. O mindset fixo
responde de forma afirmativa. É possível simplesmente medir agora a capacidade imutável e projetá-la

para o futuro. Basta aplicar o teste ou perguntar aos especialistas. Não é preciso ter bola de cristal.
É tão comum a crença de que o potencial pode ser conhecido no presente que Joseph P. Kennedy
sentiu-se confiante em dizer a Morton Downey Jr. que ele seria um fracasso.20 O que havia feito Downey
— mais tarde escritor e personalidade famosa da TV? Ora, tinha usado meias vermelhas e sapatos
marrons no Stork Club.* “Morton”, dissera-lhe Kennedy, “nunca vi ninguém, entre as pessoas que
encontrei em minha vida, que tivesse alcançado o sucesso usando meias vermelhas e sapatos marrons.21
Meu jovem, permita-me dizer-lhe uma coisa: você se destaca, mas não de uma forma que vá fazer você
ser admirado pelos demais.”
Muitas das pessoas mais realizadas de nossa época foram consideradas sem futuro por entendidos.
Jackson Pollock, Marcel Proust, Elvis Presley, Ray Charles, Lucille Ball e Charles Darwin, todos eram
tidos como possuidores de pouco potencial em seus campos de atividade. E, em alguns desses casos,
pode bem ser verdade que, no início, não tenham se destacado.
Mas o potencial não será a capacidade que a pessoa tem de desenvolver eficientemente sua aptidão
por meio do esforço ao longo do tempo? E é justamente isso o que importa. Como podemos saber até
onde o esforço e o tempo levarão alguém? Talvez os especialistas tivessem razão em relação a Jackson,
Marcel, Elvis, Ray, Lucille e Charles, em termos de suas aptidões naquele momento. Talvez ainda não
fossem as pessoas nas quais se transformariam.
Certa vez, fui ver em Londres uma exposição das obras da fase inicial de Paul Cézanne. No caminho,
fiquei pensando em quem seria Cézanne e como seriam seus quadros antes de ele se tornar o pintor que
hoje conhecemos. Estava bastante curiosa porque Cézanne é um de meus artistas preferidos e foi quem
preparou o terreno para grande parte da arte moderna. Eis o que descobri: alguns dos quadros eram muito
ruins. Eram cenas supertrabalhadas, algumas violentas, com figuras pintadas de forma amadorística.
Embora houvesse alguns trabalhos que anunciavam o futuro do artista, muitos deles não eram assim.
Cézanne seria pouco talentoso na fase inicial? Ou simplesmente fora preciso tempo para que Cézanne se
convertesse em Cézanne?
As pessoas com mindset de crescimento sabem que é preciso tempo para que o potencial floresça.22
Recentemente, recebi uma carta raivosa de um professor que tinha participado de uma de nossas
pesquisas. Nela, era apresentada uma aluna fictícia, Jennifer, que havia tirado 6,5 em uma prova de
matemática. Em seguida, pedia-se aos professores que nos dissessem de que maneira a tratariam.
Os professores de mindset fixo responderam com grande satisfação a nossas perguntas. Achavam que,
por conhecer a nota obtida por Jennifer, podiam avaliar quem ela era e de que seria capaz. Fizeram
numerosas recomendações. O professor Riordan, ao contrário, ficou furioso. Eis o que ele escreveu:
A quem interessar possa:
Tendo respondido à parte de sua recente pesquisa dedicada ao educador, devo solicitar que minhas respostas sejam excluídas do estudo.
Sinto que o próprio estudo é cientificamente falho […].
Infelizmente, o teste utiliza uma premissa falsa, pedindo aos professores que façam apreciações sobre determinada estudante com base
em nada mais do que um número em uma página […]. O desempenho não pode ser medido por uma só apreciação. Não se pode
determinar a inclinação de uma linha com apenas um ponto conhecido, pois nem sequer existe uma linha. Um único ponto no tempo não
demonstra tendências, aperfeiçoamento, falta de esforço ou aptidão para a matemática […].
Sinceramente,
Michael D. Riordan

Gostei muito da crítica do professor Riordan e concordei plenamente com ele. Uma avaliação com
base em um único ponto no tempo tem pouco valor para a compreensão da capacidade de uma pessoa,

sem falar em seu potencial de sucesso no futuro.
O número de professores que pensavam o contrário foi preocupante, e esse levantamento foi o objetivo
de nosso estudo.
A ideia de que uma nota seja capaz de avaliar para sempre uma pessoa é o que cria a urgência para
aqueles cujo mindset é fixo. Por isso é que precisam ter êxito absoluto e imediato. Quem pode se dar ao
luxo de procurar crescer, quando tudo está em jogo no instante presente?
Há outra forma de avaliar o potencial?23 A Nasa acha que sim. Ao solicitar inscrições para futuros
astronautas, a agência espacial rejeitou pessoas que apresentavam históricos de puro sucesso e
selecionou as que tinham experimentado fracassos significativos e se recuperado. Jack Welch, o
aclamado CEO da General Electric, escolhia seus executivos com base na “pista de decolagem”, a
capacidade de crescimento deles.24 E lembremo-nos de Marina Semyonova, a famosa professora de balé
que escolhia os alunos estimulados pela crítica. Todos rejeitavam a ideia das capacidades imutáveis e,
em vez disso, selecionavam segundo o mindset.
Provar que você é especial

O que as pessoas de mindset fixo realmente desejam provar quando optam pelo sucesso em vez do
crescimento? Querem provar que são especiais, até mesmo superiores.
Ao serem questionadas: “Você se sente inteligente?”, muitas falaram de momentos em que se sentiram
pessoas especiais, alguém diferente dos demais e melhor que os demais.
Até descobrir os mindsets e seu funcionamento, eu também me considerava mais talentosa do que as
outras pessoas, talvez mesmo mais respeitável do que elas, por causa dos meus dotes. A ideia mais
assustadora, sobre a qual eu raramente meditava, era a possibilidade de que eu fosse uma pessoa comum.
Esse tipo de pensamento me levava a buscar aprovação constante. Cada comentário, cada olhar tinha
algum significado, ficava registrado na pontuação de minha inteligência, de minha beleza, de minha
simpatia pessoal. Se o dia fosse favorável, eu poderia me satisfazer com as notas elevadas que
recebesse.
Numa noite de inverno muito fria, fui à ópera. Naquela noite a ópera foi excepcional, e todos
permaneceram no teatro até o fim, não só do espetáculo, mas até terminarem todos os aplausos. Em
seguida todos saímos para a rua, e todos queríamos tomar um táxi. Lembro perfeitamente. Já passava da
meia-noite, fazia catorze graus abaixo de zero, o vento era forte, e, à medida que o tempo passava, eu me
sentia cada vez mais desconfortável. Ali estava eu, parte de uma multidão em que todos eram iguais. Que
possibilidades teria? De repente, um táxi parou bem junto a mim. A maçaneta da porta traseira ficou
exatamente diante de minha mão e, quando entrei, o motorista afirmou: “A senhora é diferente”. Eu vivia
para aqueles momentos. Não apenas eu era especial, mas isso podia ser percebido à distância.
A escola da autoestima estimula esse tipo de pensamento e chegou a inventar maneiras de ajudá-lo a
confirmar sua superioridade. Recentemente encontrei um anúncio de um produto desse tipo. Todos os
anos, duas amigas me mandam uma lista ilustrada das dez coisas especiais que não compraram para mim
no Natal. De janeiro a novembro, elas colecionam possíveis objetos que aparecem em catálogos ou
baixam da internet. Em dezembro, escolhem os vencedores. Um de meus preferidos de todos os tempos é
uma privada portátil, que pode ser dobrada e guardada no bolso depois do uso. Neste ano meu favorito
foi o espelho EU ME AMO, um espelho com essas palavras em letras maiúsculas escritas na parte inferior.
Quando você se contempla nele, já pode dar a mensagem a si mesmo e não precisa esperar que o mundo
exterior anuncie o fato de que você é uma pessoa especial.

Claro, o espelho é suficientemente inofensivo. O problema começa quando a palavra “especial” passa
a significar “melhor do que os outros”. Um ser humano mais valioso. Uma pessoa superior, uma pessoa
merecedora.
Especial, superior, merecedora

John McEnroe tinha um mindset fixo.25 Acreditava que o talento era tudo. Não gostava de aprender. Não
progredia com os desafios; quando as coisas ficavam difíceis, ele geralmente se entregava.
Consequentemente, como ele próprio confessa, não realizou todo o seu potencial.
Mas tinha tanto talento que permaneceu em primeiro lugar entre os tenistas de todo o mundo durante
quatro anos. A seguir, ele próprio nos diz o que significava ser o número um.
McEnroe usava serragem para absorver a transpiração em suas mãos durante uma partida.26 Em certa
ocasião, a serragem não lhe agradou. Ele se aproximou da lata que a continha e derrubou-a com a
raquete. Seu agente, Gary, veio correndo ver qual era o problema.
“Você chama isso de serragem?”, eu perguntei. Na verdade, estava gritando com ele: a serragem era fina demais! “Isso parece veneno de
rato. Não pode conseguir coisa melhor?” Garry afastou-se e, vinte minutos depois, voltou com uma lata de serragem mais grossa […] e
vinte dólares a menos no bolso. Tivera de pagar a um empregado para conseguir o que eu queria. Isso é o que significa ser o número um.

Ele prossegue contando que certa vez vomitou em cima de uma distinta senhora japonesa que era sua
anfitriã.27 No dia seguinte, ela o cumprimentou, pediu desculpas e deu-lhe um presente. “Isso”, proclama
McEnroe, “também mostra o que significa ser o número um.”
Tudo era sobre você […]. “Tem tudo de que precisa?” “Está tudo bem?” “Vamos pagar tanto a você, faremos tudo o que você quiser.” Eu
só tinha de fazer o que queria, e minha reação a qualquer outra coisa era: “Dê o fora daqui”. Durante muito tempo eu não me importava
com isso. Quem se importaria?28

Bem, vamos ver. Você é uma pessoa bem-sucedida, é melhor do que os demais. Pode abusar deles e
fazê-los rastejar. No mindset fixo, isso pode se passar por autoestima.
Em contraste, observemos Michael Jordan, atleta de mindset de crescimento por excelência, cuja
grandeza é constantemente proclamada pelo mundo. “Super-homem”, “Deus em pessoa”, “Jesus com
uniforme de basquete.” Se alguém tem motivos para se sentir especial, é ele. Mas eis o que disse quando
voltou a jogar basquete, causando grande comoção: “Fiquei espantado ao ver o grau de interesse que
minha volta ao esporte despertou […]. As pessoas me elogiavam como se eu fosse um culto religioso ou
coisa parecida. Isso era muito embaraçoso. Sou um ser humano como qualquer outro”.29
Jordan sabia o esforço que tinha feito para desenvolver sua capacidade. Via-se como uma pessoa que
batalhou e cresceu, e não como alguém que é inerentemente melhor do que os demais.
No livro Os eleitos, Tom Wolfe descreve os pilotos militares de elite que adotam avidamente o
mindset fixo.30 Por haverem passado por uma série de testes rigorosos, acreditam-se especiais, pessoas
que nasceram mais inteligentes e mais valentes do que as demais. Mas Chuck Yeager, o herói do livro,
exprime opinião diferente:
Não existe essa coisa de piloto nato. Quaisquer que fossem minhas aptidões ou meu talento, foi preciso trabalhar arduamente para me
tornar um piloto eficiente; foi realmente um aprendizado de toda uma vida […]. Os melhores pilotos voam mais tempo do que os outros, por
isso são os melhores.31

Tal como Michael Jordan, Yeager era um ser humano. Simplesmente desenvolveu-se mais do que a
maioria das pessoas.

Em resumo, indivíduos que acreditam em características imutáveis têm uma urgência em serem bemsucedidos e, quando o conseguem, sentem algo mais do que orgulho. Podem ter uma sensação de
superioridade, pois o sucesso significa que seus traços imutáveis são melhores do que os dos demais.
No entanto, há uma pergunta simples oculta por trás da autoestima de quem tem mindset fixo: “Se você
é alguém quando tem sucesso, o que você é quando fracassa?”.

OS MINDSETS MUDAM O SIGNIFICADO DE FRACASSO

O casal Martin adorava o filho Robert, de três anos, e sempre contava com admiração as façanhas da
criança. Nunca existira um menino tão esperto e criativo quanto o filho deles. Mas Robert fez uma coisa
imperdoável: não conseguiu ser aceito no principal colégio pré-escolar de Nova York. Depois disso, o
casal ficou mais frio em relação a ele. Já não falavam dele da mesma forma, e não o tratavam com o
mesmo orgulho e afeto. O menino já não era o mesmo brilhante Robert. Havia se desacreditado e os
envergonhou. Na tenra idade de três anos, era um fracassado.
Como assinala um artigo do New York Times, o fracasso se transformou, passando de um fato (eu
fracassei) a uma identidade (sou um fracassado).32 Isso é especialmente verdadeiro no mindset fixo.
Quando eu era criança, também me preocupava em ter o mesmo destino de Robert. Na sexta série, eu
era a melhor aluna da escola em ortografia. O diretor queria que eu participasse de um concurso entre as
escolas da cidade, mas recusei. No ensino médio, era excepcional em francês, e a professora quis que eu
entrasse numa competição escolar. Novamente recusei. Por que arriscaria transformar o sucesso em
fracasso? Para passar de vencedora a perdedora?
Ernie Els, grande jogador de golfe, também se preocupava com isso. Finalmente venceu um torneio
importante, depois de um intervalo de cinco anos, durante o qual perdeu uma série de disputas. Que
aconteceria se perdesse também aquele torneio? “Eu teria sido uma pessoa diferente”, diz ele.33 Teria
sido um perdedor.
A cada ano, em abril, quando os envelopes finos — as cartas de rejeição — chegam das
universidades, inúmeros fracassados são criados em todo o país.34 Milhares de jovens estudiosos e
brilhantes se transformam em “A garota que não conseguiu entrar em Princeton” ou “O garoto que não foi
aceito em Stanford”.
Momentos definidores

Mesmo no mindset de crescimento o fracasso pode ser uma experiência penosa. Mas ela não nos define.
É um problema que tem de ser enfrentado e tratado, e dele se devem extrair ensinamentos.
Jim Marshall, ex-jogador de defesa da equipe de futebol americano dos Minnesota Vikings, narra o
que poderia tê-lo transformado facilmente em um fracassado.35 Num jogo contra o San Francisco 49ers,
Marshall viu a bola caída no gramado. Agarrou-a e correu, atravessando a linha de fundo, realizando um
touchdown, sob os aplausos da multidão. Mas havia corrido na direção errada. Os pontos foram para o
adversário, e num jogo transmitido para todo o país.
Foi o momento mais arrasador de sua vida. A vergonha foi avassaladora. Mas, durante o intervalo, ele
pensou: “Quando alguém comete um erro, é preciso repará-lo. Percebi que havia uma alternativa. Eu
poderia ficar preso a meu sofrimento ou fazer alguma coisa para consertar o erro”. Recuperando-se no
segundo tempo, jogou de maneira magistral durante o restante da partida e contribuiu para a vitória de sua
equipe.
E não parou por aí. Fez conferências sobre o assunto. Respondeu às muitas cartas que chegaram,
remetidas por pessoas que finalmente criaram coragem de reconhecer suas próprias experiências
vergonhosas. Melhorou a concentração durante as partidas. Em vez de permitir que a experiência o
definisse, passou a controlá-la. Utilizou-a para tornar-se um atleta ainda melhor e, ele acredita, uma
pessoa melhor.
No mindset fixo, no entanto, perder-se por causa do fracasso pode transformar-se num trauma

permanente e temível. Bernard Loiseau era um dos melhores chefs do mundo.36 Somente um punhado de
restaurantes em toda a França recebe a mais alta cotação de três estrelas no guia Michelin, o mais
respeitado guia de restaurantes do país. O dele estava entre os coroados. Mas, pouco antes da publicação
do Michelin de 2003, Loiseau suicidou-se. Havia perdido dois pontos em outro guia, passando de
dezenove (de um máximo de vinte) para dezessete no Gault&Millau. E circulavam insistentes rumores de
que perderia uma das três estrelas no Michelin. Embora isso não tivesse acontecido, o fracasso o havia
dominado.
Loiseau tinha sido um pioneiro. Foi um dos primeiros a apresentar a nouvelle cuisine, trocando os
tradicionais molhos de manteiga e creme de leite pelo sabor mais nítido dos próprios alimentos. Homem
de enorme energia, era também empreendedor. Além de seu restaurante três estrelas na Borgonha, criara
outros três em Paris, escrevera numerosos livros de receitas e inaugurara uma linha de alimentos
congelados. “Sou como Yves Saint-Laurent”, costumava dizer. “Faço tanto alta-costura quanto prêt-àporter.”
Um homem com tanto talento e originalidade poderia facilmente ter planejado um futuro satisfatório,
com ou sem os dois pontos ou a terceira estrela. Na verdade, o editor do Gault&Millau disse ser
inimaginável que a perda da cotação pudesse haver lhe custado a vida. Mas, no mindset fixo, isso é
imaginável. A redução da nota deu-lhe uma nova definição de si mesmo: fracassado. Ultrapassado.
É surpreendente o que pode ser considerado fracasso no mindset fixo. Portanto, para suavizar…
Meu sucesso é o seu fracasso

No último verão, fui com meu marido a um hotel-fazenda, grande novidade para nós porque nem eu nem
ele jamais havíamos entrado em contato com cavalos. Certo dia, nos inscrevemos para uma aula de
pescaria. O instrutor era um maravilhoso pescador de oitenta anos, do tipo caubói, que nos ensinou a
lançar a linha e depois nos deixou livres.
Logo percebemos que ele não nos ensinara a reconhecer a mordida da truta na isca (esses peixes não
puxam a linha; é preciso observar uma bolha na superfície), nem o que fazer quando mordesse (puxar
para cima), nem como recolher a linha, caso, por milagre, chegássemos até esse ponto (puxar o peixe na
linha da água, sem retirá-lo para cima). Bem, o tempo passou, os mosquitos picaram, mas nada das trutas.
Havia cerca de uma dúzia de pessoas, mas ninguém conseguia nada. De repente, acertei em cheio. Uma
truta descuidada mordeu minha isca, e o instrutor, que por acaso estava perto, guiou-me para o resto da
façanha. Pesquei uma truta arco-íris.
Reação número 1: David, meu marido, veio correndo, muito orgulhoso, e disse: “A vida com você é
cheia de emoções!”.
Reação número 2: Naquela tarde, ao entrarmos na sala de jantar do hotel, dois homens se aproximaram
de meu marido, dizendo: “David, como você consegue aguentar o tranco?”. David olhou para eles sem
entender; não tinha ideia do que queriam dizer. Claro que não, pois ele achara minha pesca emocionante.
Mas eu sabia exatamente o que era. Os dois esperavam que ele se sentisse diminuído, e fizeram questão
de deixar bem claro que essa tinha sido sua reação a meu êxito.
Esquivar-se, trapacear, culpar os outros: não é receita para o sucesso

Além do grande trauma que uma contrariedade pode significar no mindset fixo, essa atitude não fornece
uma boa receita para se recuperar de um fracasso. Se o fracasso significa que falta competência ou
potencial a uma pessoa — isto é, você é mesmo um fracassado —, como é possível se recuperar?

Num estudo, alunos da sétima série declararam de que forma reagiriam a um fracasso nos estudos —
uma nota baixa em um teste numa matéria nova.37 Como era de esperar, os de mindset de crescimento
disseram que estudariam mais para a prova seguinte. Mas os de mindset fixo responderam que estudariam
menos da próxima vez, o que não causa muita surpresa. Se não tinham capacidade, para que perder
tempo? Acrescentaram que pensariam seriamente na possibilidade de colar. Como não tinham
capacidade, achavam que era preciso procurar outra saída.
Além disso, em vez de procurar aprender com os fracassos e repará-los, os indivíduos de mindset fixo
podem simplesmente tentar restaurar sua autoestima. Por exemplo, podem começar a procurar gente que
esteja em situação ainda pior do que a delas.
Depois de não se darem bem numa prova, estudantes universitários tiveram a oportunidade de ver as
provas de outros alunos.38 Os de mindset de crescimento viram provas de pessoas que haviam tirado
notas muito superiores às deles. Como de costume, procuraram corrigir suas deficiências. Mas os de
mindset fixo preferiram ver as provas dos que tinham tirado as piores notas. Era uma forma de se
sentirem melhor consigo mesmos.
No livro Empresas feitas para vencer, Jim Collins narra um fato semelhante no mundo das grandes
empresas.39 Quando a Procter & Gamble invadiu o negócio de artigos de papel, a Scott Paper, que até
então liderava o ramo, simplesmente desistiu. Em vez de mobilizar-se e resistir, pensou: “Ora, bem […]
pelo menos há firmas em situação pior do que a nossa”.
Outra forma pela qual as pessoas de mindset fixo procuram restabelecer sua autoestima depois de um
fracasso é atribuir a culpa a alguém ou arranjar desculpas. Voltemos a John McEnroe.
Nunca era culpa dele.40 Certa vez, perdeu uma partida porque estava com febre. Outra, porque teve
dor nas costas. Uma ocasião foi vítima das expectativas; outra, dos tabloides. Uma vez perdeu um jogo
contra um amigo porque este estava apaixonado e ele não; outra, porque se alimentou muito perto da hora
do jogo. Em um momento estava gordo demais, em outro, magro. Numa partida, fazia muito frio; em outra,
estava demasiado quente. Em uma ocasião estava fora de forma; na seguinte, tinha treinado demais.
Sua derrota mais amarga, que ainda o faz perder noites de sono, foi a que ocorreu em 1984, no Torneio
Aberto da França. Por que perdeu o jogo, se estava com vantagem de dois sets a zero? Segundo
McEnroe, a culpa não foi dele. Um cinegrafista da NBC havia retirado o fone de ouvido e um ruído
começara a surgir do lado da quadra.
Não foi culpa dele. Portanto, ele não tentou melhorar sua capacidade de concentração ou seu controle
emocional.
John Wooden, lendário técnico de basquete, diz que ninguém pode ser considerado fracassado
enquanto não começar a culpar os outros.41 Ele quer dizer que é possível estar ainda no processo de
aprender com os próprios erros, até que se comece a negá-los.
Quando a Enron, gigante no ramo da energia, faliu, vítima de uma cultura de arrogância, de quem foi a
culpa?42 “Não foi minha”, fez questão de frisar Jeffrey Skilling, o CEO e gênio da firma. A culpa foi do
mundo. O mundo não compreendeu o que a Enron buscava realizar. E o que dizer da investigação sobre
uma grande fraude empresarial feita pelo Departamento de Justiça? Uma “caça às bruxas”.
Jack Welch, o CEO com mindset de crescimento, reagiu a um fiasco da General Electric de maneira
completamente diferente.43 Em 1986, a GE comprou o banco de investimentos Kidder, Peabody & Co.
Pouco depois de fechar o negócio, essa empresa foi abalada por um grande escândalo de corrupção
interna na Bolsa. Alguns anos mais tarde, nova calamidade na pessoa de Joseph Jett, um corretor que fez
diversas transações fictícias de centenas de milhões de dólares, para aumentar suas comissões. Welch

telefonou para catorze de seus colegas da alta direção da GE para dar a má notícia e pedir desculpas
pessoalmente. “Eu mesmo assumi a responsabilidade pelo desastre”, disse Welch.
Mindset e depressão

Talvez Bernard Loiseau, o chef francês, estivesse apenas deprimido. Já pensou nisso?
Como psicóloga e educadora, tenho interesse vital pela depressão.44 É muito comum nos campi
universitários, especialmente entre fevereiro e março. Nessa época, o inverno ainda não terminou, o
verão ainda não está à vista, há muito o que estudar e os relacionamentos frequentemente se desfazem.
Mas há muito tempo tem ficado evidente para mim que alunos diferentes lidam com a depressão de
formas radicalmente diversas. Alguns deixam tudo de lado. Outros, embora sintam-se muito mal,
resistem. Esforçam-se para comparecer às aulas, mantêm os estudos em dia e cuidam de si mesmos;
dessa forma, quando melhoram, suas vidas estão intactas.
Não faz muito tempo, resolvemos investigar se os mindsets tinham algo a ver com essas diferenças.
Para isso, verificamos os mindsets dos alunos e depois os fizemos manter uma espécie de “diário” online durante três semanas, em fevereiro e março. Todos os dias eles respondiam a perguntas sobre seu
ânimo, suas atividades e de que forma lidavam com seus problemas. Eis o que descobrimos.
Primeiro, os de mindset fixo tinham níveis de depressão mais altos. Nossas análises mostraram que
isso se devia ao fato de que ruminavam os problemas e as dificuldades, essencialmente atormentando-se
com a ideia de que os fracassos significavam que eram incompetentes ou de poucos méritos. “A ideia
ficava girando em minha cabeça: ‘Você é um idiota’.” “Eu simplesmente não conseguia afastar o
pensamento de que isso me tornava menos homem.” Novamente, os fracassos os rotulavam e não
ofereciam caminhos para o êxito.
E quanto mais deprimidos se sentiam, mais deixavam as coisas de lado, e menos agiam para resolver
os problemas. Por exemplo, não estudavam o que era necessário, não entregavam os trabalhos a tempo e
não cumpriam suas obrigações.
Embora os alunos de mindset fixo demonstrassem maior grau de depressão, havia muitos com o
mindset de crescimento que se sentiam extremamente mal, pois aquela era a época em que havia maior
número de casos de depressão. Então percebemos algo realmente surpreendente. Quanto mais deprimidos
se sentiam os de mindset de crescimento (não era depressão severa), mais agiam para enfrentar suas
dificuldades, mais se esforçavam por manter em dia seus trabalhos escolares e mais cuidavam de suas
vidas. Quanto pior se sentiam, mais determinados se tornavam!
Com efeito, ao ver a forma pela qual agiam, era difícil perceber até que ponto estavam desanimados.
Eis uma história que me foi contada por um jovem:
Era meu primeiro ano na universidade e eu estava longe de casa. Todos eram desconhecidos para mim, os cursos eram puxados, e, à
medida que o tempo passava, eu me sentia cada vez mais deprimido. Finalmente, a depressão chegou a um ponto em que eu tinha
dificuldade até para sair da cama de manhã. Mas todos os dias eu me obrigava a levantar, tomava banho, me barbeava e fazia tudo o que
tinha de fazer. Certo dia, estava tão mal que resolvi buscar ajuda. Procurei a professora-assistente de meu curso de psicologia e pedi seu
conselho. “Você está indo às aulas?”, perguntou ela. “Sim”, respondi. “Está em dia com suas leituras?” “Estou.” “Está indo bem nas
provas?” “Sim.” “Bem”, disse ela, “você não está deprimido.”

Sim, ele estava deprimido, mas lidava com a situação da forma com que pessoas com mindset de
crescimento tendem a enfrentá-la: com determinação.
Será que o temperamento tem alguma coisa a ver com isso? Não serão certas pessoas mais sensíveis
por natureza, enquanto outras simplesmente são mais impermeáveis? Sem dúvida o temperamento

desempenha um papel, mas o mindset é uma parte importante da história. Depois que ensinamos às
pessoas o mindset de crescimento, elas mudam completamente a forma com a qual reagem à depressão.
Quanto pior se sentem, mais motivadas ficam e melhor enfrentam seus problemas.
Em suma, quando as pessoas acreditam em traços imutáveis, estão sempre achando que correm o risco
de ser avaliadas em termos de fracasso. O fracasso pode defini-las de maneira permanente. Por mais
inteligentes ou talentosas que sejam, essa atitude parece incapacitá-las para o uso de seus recursos de
reação.
Quando as pessoas acreditam que suas qualidades básicas podem ser desenvolvidas, os fracassos
podem ser dolorosos, mas não as definem. E, se é possível expandir as capacidades — se a mudança e o
crescimento são possíveis —, então ainda há muitos caminhos para o sucesso.

OS MINDSETS MUDAM O SIGNIFICADO DE ESFORÇO

Quando éramos crianças, havia a possibilidade de escolher entre a lebre talentosa, porém leviana, e a
tartaruga vagarosa, porém persistente. A mensagem daquela lição era que a lentidão e a constância
vencem a corrida. Mas, na verdade, será que algum de nós realmente desejou ser a tartaruga?
Não; apenas gostaríamos de ser uma lebre menos tola. Queríamos ser velozes como o vento e ter um
pouco mais de estratégia — por exemplo, não tirar tantas sonecas antes da linha de chegada. Afinal,
todos sabemos que é preciso cruzá-la para poder vencer.
Ao tentar priorizar o poder do esforço, a história da lebre e da tartaruga acaba por reduzir sua
importância. Reforça a imagem de que o esforço é coisa para os lentos e sugere que, em raras ocasiões,
quando os talentosos deixam cair a peteca, os lentos são capazes de levar vantagem.
Na verdade, até hoje me lembro do quanto amei essas pequenas criaturas, mas em nada me identificava
com elas. A mensagem era a seguinte: se você tiver a infelicidade de ser o menos bem-dotado da ninhada,
se lhe faltar talento, não terá necessariamente de ser um fracassado. Pode ser um doce e adorável
operário, e talvez (se realmente se esforçar e conseguir resistir aos olhares de desprezo) chegue até
mesmo ao sucesso.
Muito obrigada, mas prefiro ser bem-dotada.
O problema é que essas histórias reduziam a questão a opções excludentes. Ou você tem capacidade
ou confia no esforço. E isso faz parte do mindset fixo. O esforço é para aqueles que não têm capacidade.
As pessoas de mindset fixo nos dizem: “Se você tiver de se esforçar em alguma coisa, é porque não tem
capacidade para fazê-la bem-feita”. E acrescentam: “As coisas são mais fáceis para aqueles que são
geniais de verdade”.

Calvin & Hobbes, Bill Walterson/Dist. by Universal Uclick

Quando eu era uma jovem professora-assistente do Departamento de Psicologia da Universidade de
Illinois, notei, certa noite, ao passar pelo prédio de psicologia, que as luzes estavam acesas em alguns
gabinetes de professores. Alguns de meus colegas estavam trabalhando até tarde. Não devem ser tão
inteligentes como eu, pensei.
Nunca me ocorreu que poderiam ser tão inteligentes quanto eu, e também mais trabalhadores! Para
mim, uma coisa excluía a outra. E era claro que eu dava mais valor a uma do que à outra.

Malcolm Gladwell, escritor e colaborador da revista New Yorker, sugeriu que nossa sociedade dá
mais importância às realizações naturais, obtidas sem esforço, do que às que requerem diligência.45
Damos a nossos heróis qualidades super-humanas que inevitavelmente concorreram para sua grandeza. É
como se Midori já saísse do útero tocando seu violino, Michael Jordan driblando e Picasso pintando.
Isso retrata fielmente o mindset fixo. E está por toda parte.
Um relatório de pesquisadores da Universidade Duke faz uma advertência sobre a ansiedade e a
depressão entre alunas de graduação que aspiram à “perfeição sem esforço”.46 Elas acreditam que devem
exibir beleza, feminilidade e erudição perfeitas sem ter de se esforçar (ou, pelo menos, sem demonstrar
que estão se esforçando).
Os norte-americanos não são os únicos a desprezar o esforço.47 O executivo francês Pierre Chevalier
diz: “Não somos uma nação que se esforça. Afinal, se você tem savoir-faire (uma mistura de know-how e
tranquilidade), faz as coisas sem esforço”.
No entanto, as pessoas de mindset de crescimento pensam de maneira muito diversa. Para elas, até
mesmo os gênios têm de se esforçar para obter resultados. E acrescentariam: o que pode haver de
heroico em possuir um dom? Podem apreciar o talento, mas admiram o esforço, pois, qualquer que seja a
capacidade de alguém, o esforço é que deflagra a capacidade e a transforma em realização.
Seabiscuit48

Seabiscuit era um cavalo tão machucado que deveria ser sacrificado. Na verdade, todo um grupo de
pessoas — o jóquei, o proprietário, o treinador — estava de algum modo doente. Mas, graças a sua
obstinada determinação e contra todas as probabilidades, transformaram-se em vencedores. Uma nação
em dificuldades viu esse cavalo e seu cavaleiro como símbolos do que podia ser realizado por meio da
coragem e do ânimo.
Igualmente emocionante é a história paralela da autora de Seabiscuit, Laura Hillenbrand.49 Sofrendo,
nos tempos de universitária, de uma grave fadiga crônica que jamais a abandonou, ela frequentemente se
via incapaz de agir. Mas alguma coisa na história do “cavalo que podia” a dominou e inspirou, e, dessa
maneira, ela conseguiu escrever um relato emocionante e magnífico a respeito do triunfo da força de
vontade. O livro é um testemunho do sucesso de Seabiscuit e igualmente do dela.
Vistas pelo prisma do mindset de crescimento, essas histórias dizem respeito ao poder transformador
do esforço — de modificar sua capacidade e você mesmo, como pessoa. Porém, ao serem filtradas pelo
mindset fixo, passam a ser uma excelente narrativa sobre três homens e um cavalo, todos com
deficiências, que precisavam se esforçar muito.
Grande esforço: alto risco

Do ponto de vista do mindset fixo, o esforço é algo exclusivo das pessoas com deficiências. E quando as
pessoas sabem que são deficientes, nada têm a perder se esforçando. Mas, se você quer ser famoso por
não possuir deficiências — por ser considerado genial, talentoso ou portador de aptidões inatas —, nesse
caso terá muito a perder. O esforço pode diminuí-lo.
Nadja Salerno-Sonnenberg estreou como violinista aos dez anos de idade na Orquestra da Filadélfia.50
Mas, quando chegou à escola Juilliard para estudar com Dorothy DeLay, a grande mestra do violino,
tinha um repertório de péssimos hábitos. Seu dedilhado e os movimentos com o arco eram desajeitados,
segurava o instrumento na posição errada, mas recusava-se a mudar. Depois de vários anos, viu que
outros estudantes chegavam a seu nível e até mesmo a ultrapassavam, e antes dos vinte anos teve uma

crise de confiança. “Eu estava habituada ao sucesso, ao rótulo de menina-prodígio nos jornais, e então
me sentia fracassada.”51
A menina-prodígio tinha medo de tentar.
Tudo pelo que eu estava passando se resumia em medo. Medo de tentar e fracassar […]. Quando você vai fazer um teste e não se esforça
de verdade, quando não está realmente preparada, quando não treinou com o empenho que deveria, e não passa no teste, sempre há uma
desculpa […]. Nada é mais penoso do que dizer: “Fiz o melhor que podia e isso não foi suficiente”.52

A ideia de se esforçar e mesmo assim fracassar — ficar sem desculpas — é o pior temor no mindset
fixo, e isso a perseguiu e a paralisou. Ela chegou até mesmo a deixar de levar o violino para a aula!
Então, certo dia, depois de anos de paciência e compreensão, DeLay lhe disse: “Escute, se não trouxer
o violino na próxima semana, vou expulsar você da minha turma”.53 Salerno-Sonnenberg achou que ela
estava brincando, mas DeLay se ergueu e calmamente avisou: “Não estou brincando. Se vai desperdiçar
seu talento, não quero ser sua cúmplice. Isto já está durando tempo demais”.
Por que o esforço é tão assustador?
Há dois motivos. O primeiro é que, no mindset fixo, acredita-se que os grandes gênios não precisam se
esforçar. Por isso, ter de fazer esforço lança uma dúvida sobre nossa capacidade. O segundo, como
indica a história de Nadja, é que ele rouba todas as desculpas. Sem ter se esforçado, você sempre pode
dizer: “Eu podia ter sido [qualquer nome pode preencher este espaço]”. Mas, quando você faz uma
tentativa, já não pode afirmar isso. Alguém um dia me disse: “Eu podia ter sido Yo-Yo Ma”. Se tivesse
realmente tentado, não seria capaz de dizê-lo.
Salerno-Sonnenberg ficou apavorada com a ideia de perder DeLay. Finalmente concluiu que tentar e
fracassar — um fracasso honesto — era melhor do que a situação em que estava, e assim começou a se
preparar com a mestra para um concurso futuro. Pela primeira vez se dedicou, e, aliás, ganhou a
competição. Hoje ela diz: “Há algo que sei ser verdadeiro. É preciso esforçar-se ao máximo pelas coisas
que mais amamos. E, quando nosso amor é a música, a luta é a mais difícil de toda a vida”.
O medo do esforço pode ocorrer também nos relacionamentos, como aconteceu com Amanda, uma
mulher jovem, bonita e dinâmica.
Eu tive muitos namorados doidos. Muitos. Iam desde os levianos aos mal-educados. “Que tal um bom rapaz, ao menos uma vez?”, sempre
dizia Carla, minha melhor amiga. Era como se dissesse: “Você merece coisa melhor”.
Então, Carla me apresentou Rob, um rapaz que trabalhava em seu escritório. Ele foi ótimo, e não apenas no primeiro dia. Adorei. Podia
dizer: “Oh, meu Deus, até que enfim um cara pontual”. Então o relacionamento ficou mais sério e me assustei. Quero dizer, ele realmente
gostava de mim, mas eu não conseguia deixar de pensar que, se ele me conhecesse de verdade, ia desanimar. Isto é, o que aconteceria se
eu realmente me esforçasse, me esforçasse mesmo, e as coisas não dessem certo? Acho que eu não seria capaz de correr esse risco.
Pouco esforço: alto risco

No mindset de crescimento, é quase inconcebível desejar ardentemente alguma coisa, acreditar que há
uma possibilidade de consegui-la e nada fazer para atingir o objetivo. Quando isso acontece, o eu
poderia ter sido é muito doloroso, e nada reconfortante.
Poucas mulheres norte-americanas, entre as décadas de 1930 e 1950, tiveram mais êxitos do que Clare
Boothe Luce.54 Famosa como escritora e dramaturga, duas vezes eleita deputada, ela chegou a ser
embaixadora na Itália. “Realmente não compreendo a palavra ‘sucesso’”, disse ela certa vez.55 “Sei que
as pessoas a usam a meu respeito, mas não a compreendo.” Sua vida pública e suas tragédias pessoais
impediram-na de voltar à sua maior paixão: escrever para o teatro. Teve grande sucesso com peças como
The Women [As mulheres], mas como figura pública não podia estar produzindo peças picantes e sexy.

Em sua opinião, a política não proporcionava o esforço pessoal criativo a que ela dava o máximo
valor, e, olhando para trás, ela não se perdoava por não ter seguido sua paixão pelo teatro. “Muitas vezes
pensei”, disse ela, “que, se tivesse de escrever uma autobiografia, o título seria Autobiografia de uma
fracassada.”56
Billie Jean King diz que tudo se resume ao que você quer ver e dizer a respeito do passado.57
Concordo com ela. Você pode olhar para trás e dizer: “Eu podia ter sido…”, polindo seus dons
desperdiçados, como se fossem troféus. Também pode olhar para trás e dizer: “Dei tudo de mim pelas
coisas que me importavam”. Pense no que você quer ver e dizer em relação a seu passado. E, em seguida,
escolha seu mindset.
Transformar conhecimento em ação

É claro que as pessoas de mindset fixo leram livros que dizem: sucesso significa ser o melhor de você
mesmo, e não ser melhor do que os outros; o fracasso é uma circunstância, e não uma condenação; o
esforço é a chave do sucesso. Mas não podem colocar essas ideias em prática porque a base de seu
mindset — a crença em traços imutáveis — lhes diz algo completamente diferente: que o sucesso
significa ser mais bem-dotado do que os demais, que o fracasso realmente nos classifica e que o esforço
é para aqueles que não conseguem êxito por meio do talento.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

A esta altura, você provavelmente tem algumas perguntas a fazer. Vamos ver se consigo responder a
algumas delas.
Pergunta: Se as pessoas acreditam que suas qualidades são imutáveis, e se mostraram inteligentes ou talentosas, por que precisam
estar constantemente provando isso? Afinal, depois que o príncipe demonstrou sua bravura, ele e a princesa foram felizes para
sempre. Ele não precisava matar um dragão por dia. Por que as pessoas com mindset fixo não cumprem sua prova e depois vivem
felizes para sempre?

Porque todos os dias surgem dragões novos e maiores, e, à medida que as coisas ficam mais difíceis,
talvez a capacidade provada ontem não esteja à altura do perigo de hoje. Talvez essas pessoas fossem
suficientemente inteligentes para entender álgebra, mas não cálculo integral. Talvez fossem bons
jogadores de beisebol nas categorias inferiores, mas não nas principais. Talvez fossem bons jornalistas
no jornal da escola, mas não no New York Times.
Por isso estão sempre correndo para constantemente se provar, mas para onde vão? Para mim, estão
sempre correndo sem sair do lugar, colecionando afirmações contínuas, mas não necessariamente
chegando aonde desejam.
Você conhece esses filmes em que o personagem principal um dia acorda e percebe que sua vida não
valeu a pena — ele sempre passou à frente dos demais, sem melhorar, sem aprender e sem se importar
com os outros. Meu preferido é Feitiço do tempo, a que passei muito tempo sem assistir, porque não
gostava do título. No filme, Bill Murray não apenas acorda um dia e recebe um recado; ele precisa
repetir muitas vezes esse dia a fim de entendê-lo.
Phil Connors (Murray) é o homem do tempo de uma estação local em Pittsburgh que é mandado a
Punxsutawney, na Pensilvânia, a fim de cobrir a cerimônia do Dia da Marmota. No dia 2 de fevereiro,
uma marmota é retirada da toca; se ela enxergar sua própria sombra, acredita-se que o inverno ainda
durará mais seis semanas. Se não, a primavera virá rapidamente.
Phil, que se considera um ser superior, sente absoluto desprezo pela cerimônia, pela cidade e pelo seu
povo (“caipiras” e “retardados”), e, depois de deixar suas opiniões bem claras, planeja sair de
Punxsutawney o mais rapidamente possível. Isso, porém, não acontece. Uma tempestade de neve cai
sobre a cidadezinha e ele é obrigado a permanecer ali. Quando acorda no dia seguinte, é novamente o
Dia da Marmota. A mesma canção de Sonny e Cher, “I Got You, Babe”, toca no rádio relógio, e o mesmo
festival da marmota está pronto para começar. Isso ocorre de novo. E mais uma vez.
No início, ele utiliza o que sabe para levar adiante sua agenda costumeira, fazer os outros de tolos.
Como ele é o único a reviver aquele dia, é capaz de conversar com uma mulher num dia e utilizar a
informação obtida para enganá-la, impressioná-la e seduzi-la no dia seguinte. Está no paraíso do mindset
fixo. Consegue repetidamente provar sua superioridade.
Mas, depois de inúmeros dias iguais, percebe que não está conseguindo nada e tenta o suicídio. Bate
com o carro, tenta eletrocutar-se, atira-se de um campanário, atravessa na frente de um caminhão. Sem
saída, finalmente compreende que poderia estar utilizando aquele tempo para aprender. Começa a ter
aulas de piano. Lê vorazmente. Aprende escultura no gelo. Descobre pessoas que precisam de ajuda
naquele dia (um menino que cai de uma árvore, um homem que se engasga com o bife) e começa a
auxiliá-las, afeiçoando-se a elas. Em pouco tempo, o dia já não é suficientemente longo! Somente quando
se completa a mudança de mindset é que ele se liberta do encantamento.

Pergunta: Os mindsets são partes permanentes na estrutura de uma pessoa ou é possível modificá-los?
Os mindsets são uma parte importante de sua personalidade, mas você pode modificá-los. Simplesmente
tomando conhecimento da existência dos dois mindsets, pode-se começar a raciocinar e reagir de novas
maneiras. As pessoas me dizem que começam a se ver dominadas pelo mindset fixo — perdendo uma
oportunidade de aprender, sentindo-se rotuladas por um fracasso, ou desanimando diante da exigência de
um grande esforço. Nessas ocasiões, passam para o mindset de crescimento, garantindo que enfrentarão o
desafio, aprenderão com o fracasso ou prosseguirão com seus esforços. Depois que eu e meus alunos de
graduação descobrimos os mindsets, eles às vezes me surpreendiam no mindset fixo e me censuravam.
Também é importante compreender que, mesmo quando os indivíduos têm o mindset fixo, nem sempre
estão nesse mindset. Com efeito, em muitos de nossos estudos, colocamos as pessoas no mindset de
crescimento. Dizemos a elas que é possível aprender determinada habilidade e que a tarefa que lhes
demos trará essa oportunidade. Ou pedimos que leiam um artigo científico que lhes ensina o mindset de
crescimento. O artigo descreve pessoas que não possuíam uma capacidade inata, mas que desenvolveram
habilidades extraordinárias. Essas experiências transformam os participantes de nossas pesquisas em
gente que pensa segundo o mindset de crescimento, pelo menos no momento, e que também age como tal.
Mais adiante há um capítulo que trata exclusivamente da mudança. Nele descrevo pessoas que se
modificaram e programas que desenvolvemos para operar a mudança.
Pergunta: Percebo em mim os dois mindsets. É possível ser meio a meio?
Todos nós temos elementos de ambos. Tenho falado deles como se um excluís​se o outro apenas para
simplificar.
Também é possível alguém ter diferentes mindsets em campos diferentes. Posso acreditar que minha
capacidade artística é imutável, mas que minha inteligência pode ser desenvolvida. Ou então que minha
personalidade é fixa, mas minha criatividade pode se desenvolver. Nossa conclusão é que, qualquer que
seja o mindset adotado por uma pessoa em determinada área, será e